17 de abril de 2009

amigos


Em pequenos gestos podemos perceber votos sinceros de amizade.


(É tão bom ter amigos)


Foto: Meus primos Jonas e Ivan no açude do nosso avô.
(Maranguape - CE)

15 de abril de 2009

Se...


Se as mãos estão atadas
Se os pés estão enlaçados
Se o desejo é incontido
Se as juras são eternas
Se a saudade é incontável
Se o amor é imutável
Por que não sermos um só?


(ana maria de abreu siqueira)

Foto: Mauriti (CE) - abril de 2009

25 de março de 2009

Mágoa

- Por que não cintilam mais teus olhos?
- São minhas mágoas, repliquei.
- E elas lhe doem tanto assim?
- Sim, e faço-me cárcere dessa dor sem fim.


Pudera eu libertar essa dor
Onde hei buscar consolo?
Se choro é porquê me dói
Ao lembrar-me daquela voz hesitante
Acompanhada confissões dolentes
Enquanto escutava buscava manter-me calma
Doía dentro, em mim
Meu peito se fez ferida
E teu olhar se fez medroso e afoito
Querendo roubar-me qualquer vestígio de esperança
Impossível desvencilhar desse amor
Pudera eu perdoar
Quisera eu esquecer


- Ainda me aborreço e, de tanta fadiga, mal posso dormir.
- Vou respeitar tuas lágrimas e lástimas.
- Receio perder a alegria, respondi hesitante.
Apenas encostou minha cabeça em seu peito e disse:
- Peço-te perdão. Não estou impassível e meu amor por ti é infindável.
Minha voz trêmula fez promessa:
- Prometo tentar, chorei em silêncio.
Pensei em dizer o quanto o amo, mas guardei em mim. Para quando eu acordar desse pesadelo.



(ana maria de abreu siqueira)

10 de março de 2009

Defesa do Mestrado (06 de março de 2009)


Antes de voltar a poetar vou explicar porque passei um tempo sem escrever. Estava caminhando no mundo da pesquisa em alimentos, me dedicando exclusivamente ao meu projeto do mestrado. Estudando conceitos de conservação pós-colheita de frutos, análises químicas, livros, artigos e mais artigos para ler, composição química e física da goiaba, processo de transferência de calor, curvas de resfriamento, modelo matemático, análise sensorial. Não cochilei no ponto, como se diz popularmente. Não mesmo. Foram 2 anos de mestrado que valeram cada esforço, cada noite sem dormir, cada falta de tempo para comer, algumas festas perdidas, cada unha quebrada, cada lágrima.

Enfim, sou mestre! E escrever isso dá uma sensação inexplicável, uma mistura de dever cumprido, alívio, felicidade, orgulho e (acreditem!) saudade. É sim, saudade! Não se surpreendam, apesar do cansaço e dos problemas enfrentados, a experiência foi importante não só para a minha formação profissional, mas, principalmente, para a minha formação pessoal. Enfrentar desafios me faz acreditar que posso voar cada vez mais alto. E eu quero mais, sempre mais!
Agora vem o próximo desafio: doutorado!


(ana maria de abreu siqueira)


Momento em que foi anunciado o título (06 de março de 2009)

Aprendi a voar

Quando criança queria aprender a voar e realizar sonhos
Desejei ter nascido fada
Com asas longas e varinha de condão
Daí eu cresci
E hoje acredito que sou fada
Pois percebi que posso voar
Voar alto
Voar longe
E posso até realizar meus sonhos


Minha varinha mágica?
A fé e a força



(ana maria de abreu siqueira)
Imagem: "Girl Dressed as Fairy Playing in Garden" (₢ Moodboard / Corbis)
Disponível em: www.corbis.com

29 de dezembro de 2008

Meu enlaço


Teus ombros sustentam meus abraços
Teus dedos desatam meus laços
Teu sorriso me tira o cansaço
Tu preenches meus espaços
Sou tua sem qualquer embaraço
Descubro os teus traços
E só penso estar em teus braços


***


(ana maria de abreu siqueira)

Eu e os versos



Escrevo eu
Meus anseios
Meus desejos
Sou minhas palavras
E minhas palavras sou eu
Às vezes nem sei quem é quem
Penso que sou os versos
E que eles me escrevem
___
(ana maria de abreu siqueira)
imagem: © Atlantide Phototravel/Corbis
disponível em: www.corbis.com.br

23 de dezembro de 2008

Minha janela

Comprei uma janela, de madeira puída
Cheia de veios e cor amarela encardida
Velha e pequena
Mas cabia em meu quarto
Exatamente do tamanho do buraco da parede
Encaixei-a e fiquei a fita-la
Achei-a bonita
Talvez fizesse um remendo aqui
Outro aqui
Quem sabe um acolá
Coloquei uma cortina de renda branca
Um jarro com flores amarelas
E um sino dos ventos colorido
Nada mal
Perfeita para debruçar-me
O Sol não resistiu, apaixonou-se
Mandou raios calorosos para presenteá-la
Meu encheu-se de tons alaranjados
O vento, não querendo ficar para trás
Entrou em minha janela
E a saudou dançando com as cortinas
A Lua, enciumada, quis participar da festa
Tratou logo de inventar arte com o Sol
E um show multicor surgiu no céu
E foi assim que nasceu uma janela
...
...minha janela

19 de dezembro de 2008

E a despedida...

- Tenho que ir.
- Ahhhh...
(silêncio)
(pensamentos)
(arfar de peito)
- Então, boa noite!
- Boa lua!
- Boa rua!
- Boa música!
- Boa boemia!
- Bom caminhar!
- Bom esperar!
- Bom sonhar!
- Bom desassossego!
- Bom aconchego!
- Bons desejos!
- Bom recordar!
- Bom me escrever!
- Bom não me esquecer!
- Bom me procurar!

- Eu vou voltar!


(ana maria de abreu siqueira)

28 de novembro de 2008

Como as músicas de Chico

de leve
invade meus ouvidos
manso, devagar,
com notas perfeitas
que se enlaçam feito amantes
letras desenhadas
feito tatuagem
melodia emoldurada
a divagar
como as músicas de Chico
assim...
bossa,
minha nossa...

(ana maria de abreu siqueira)

Ainda sonolenta abri a porta do quarto e fiquei esperando algumas palavras, mas em silêncio entrou no quarto e ficou me olhando, como se esperasse algum movimento meu. Estava cansada demais para discutir qualquer assunto, só queria dormir e sonhar e acordar bem no outro dia.

Deitei de novo, mas não me deixou dormir, ficou ali imóvel a esperar, me incomodando de um jeito que precisei ser ríspida. 'Puxa! Preciso dormir, estou cansada. Não podemos deixar para amanhã?' Mas nada disse, ficou me olhando com um olhar calmo. Percebi então que estava disposta a ficar ali a noite inteira esperando.

Rendi-me, levantei, lavei o rosto, fiz um café e sentei com lápis e papel na mão. Olhei para ela e perguntei o qual era seu desejo. Foi quando percebi que os objetos no meu quarto voavam sutilmente, na folha branca as palavras dançavam, dando as mãos, cantando versos. Pude dormir quando a lua estava indo embora. Antes mesmo de fechar os olhos pude ver a inspiração fechar a porta do quarto cuidadosamente.
(ana maria de abreu siqueira)

29 de outubro de 2008

meu passarinho


Meu passarinho
De tão pequeno, se faz pouquinho
E voa baixinho, devagarzinho
Canta doce, bem levinho
Mas tão longe fica seu ninho
Vou arrumar as malas e pegar o caminho
Seguir até seu cantinho
Só para sentir seu carinho



ana maria de abreu siqueira



(à minha doce e linda Vovó Ana...saudades....)
Foto: Mauriti (CE) - Semana Santa / abril de 2009

13 de outubro de 2008

O que é poesia?



Poesia é quando as palavras se encontram para namorar...
(ana maria de abreu siqueira)

Choro

Esse choro preso em mim...
É somente uma gravata bem apertada em minha garganta
(ana maria de abreu siqueira)

9 de setembro de 2008

Comer gargalhadas


Furtos (e surtos) na madrugada...


- estou com vontade de comer algo que me faça feliz!
- porque, então, você não come gargalhadas?




(ana maria de abreu siqueira e ana carla de abreu siqueira)

8 de setembro de 2008

Meu par

Sabe aquele par de sandálias que mora no outro lado da cidade?
Deveria vir morar morar ao lado meu
(ana maria de abreu siqueira)

Asas nos meus pés

* * *
Ah, se meus pés tivessem asas
Desataria os nós dos meus sapatos
Faria das nuvens minha grama
Riscaria todo o céu
Rodopiando com lápis multicor
* * *
(ana maria de abreu siqueira)

7 de setembro de 2008

Cá com meus botões


A pedidos, poesia a qual ganhei um dos prêmios do X Prêmio Ideal Clube de Literatura (Poesias) / 2007:

Cá com meus botões


Não me conformo com a mesmice
O marasmo me sufoca
Transbordo pensamentos inusitados
Nunca soube estagná-los
Para não cair em descontentamento
Converso cá com meus botões
Completamente excessiva e insana
Alinho palavras
Em versos desalinhados
Arrematando anseios
Graças Deus sou poeta
Insistente
Sobressalente
Veemente
Florescente
Acredito no improvável
Não enxergo o absurdo
Tenho até bom senso
Mas o escondo de vez em quando
Não quero danificar minha loucura
Nem apagar minhas alucinações
A poesia está sacramentada em mim
Sou diferente de todos
Como todos os poetas


(ana maria de abreu siqueira)

Coisas sobre mim...


Nasci em 1978 (sim, sim tenho 30 anos)! Salvei a vida da minha segunda irmã quando ela era bebê. Sempre chupei dedo, hoje parei, mas de vez em quando eu testo para ver se ainda é bom (não tem mais o mesmo gosto). Tenho três irmãs que foram minhas cúmplices nas maiores traquinagens da minha vida, a gente se ama mesmo quando diz que não (coisas de irmãs)! Nunca tive vocação para a música, aos 7 anos minha mãe comprou um violão, mas me apaixonei pelo professor, nunca aprendi uma nota. Gostava de andar com os pés no chão, mas me disseram que eu ia ficar com o pé grande e eu tinha medo. Adorava ir ao cinema com meu pai e andava de mãos dadas com ele toda orgulhosa. Sempre achei minha mãe a mulher mais linda do mundo e fazia um monte de cartinhas com versos para presenteá-la. Colecionei papel de carta. Minhas melhores férias foram na cidade dos meus avós paternos. Surfava de prancha de isopor me sentindo a surfista profissional.


Tinha medo do primeiro beijo. Na adolescência fazia agenda e colava um monte de recortes de revistas para enfeitar. Beijei pela primeira vez aos 14 anos só porque minhas amigas ficaram dizendo que eu já estava velha para isso (que absurdo), não gostei daquele negócio melado, nunca mais beijei o menino de novo e decidi que só ia beijar quando tivesse vontade (demorou tempos para vontade voltar). Hoje eu adoro beijar. Amo poesias, escrever sempre foi um refúgio para eu me sentir melhor. No colégio não era a mais popular, mas conversava com todo mundo. Já me apaixonei por um professor, por um primo, por um melhor amigo, por menino que minha amiga gostava e por um menino que nunca troquei uma palavra.


Sempre quis casar e ter filhos. Já fui pedida em casamento por 3 pessoas diferentes. Já tive uma paixão avassaladora, já beijei um cara que tinha namorada, já fui traída, já beijei meu melhor amigo, nunca beijei um cara assim que conheci. Sempre fui à festa só para dançar. Já tive grandes amores, mas o verdadeiro só conheci aos 26 anos e desde nosso primeiro beijo senti que queria ficar com ele para sempre (vou ficar com ele para sempre). O nome dele é Marcelo, ele é meu companheiro, amante e melhor amigo.


Não posso comer leite e derivados, pois sou intolerante à lactose, mas de vez em quando como porque sou teimosa. O resultado não é algo muito interessante para contar. Não sou muito cuidadosa com minhas unhas, não tenho paciência para ficar indo ao salão.


Amo ler, escrever, artesanato, comer, dançar, dormir, namorar, praia, jujuba, grama, vinho, queijo, fotografia, cozinha, fofoca com as amigas, lua cheia, sol, água, dormir de rede, varanda, brisa, água de coco, edredom, bolsas, aprender e ensinar, falar em público, ser útil, criar.

(ana maria de abreu siqueira)

Foto: Universidade Federal do Ceará - Dept. de Tecnologia de Alimentos

Vai entender o amor!


Sou vascaína
Ele é flamenguista
Sou poetisa
Ele não lê poesias
Quero casar
Ele pensa em comprar uma bicicleta
Eu calço um salto alto
Ele uma sandália Havaiana
Busco uma rotina agitada
Ele uma vida pacata
Mas o amor tem dessas coisas
Quem vai entender?
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem: Foto dos bonequinhos que ganhei do Marcelo (Revolução dos bonecos)

28 de agosto de 2008

Insistência

Me vens com promessas
Perguntas indiretas
Propostas indiscretas
Ainda queres que eu “caia nessa”?

Falas de música e poesia
Me vens com brincadeiras
Um mistura de inocência e heresia
E eu rio das tuas besteiras

Não adianta virdes com flores
Só queres perfumar meus sabores
Mas o que me pedes é um absurdo
Eu digo não e te fazes de surdo

Teu desejo é inconseqüente
Se insistires eu me aborreço
E se vens como um tolo veemente
O que faço? Eu amoleço

Liberdade! Liberdade!


Calar?
Jamais
Vou gritar
Não vou escrever palavras já grafadas
Em caderno de caligrafia
Com linhas tracejadas
Vou deixar meus cabelos crescerem
Minha barba por fazer
Vou pintar os muros
Riscar independência com tinta vermelha
Seguir com pés descalços
Roçando os dedos calejados no verde da grama
Escutar o som do meu caminhar
Passo a passo, como uma melodia loquaz
Deixar o sol laranja arder em meu rosto
Meus cartazes falarão de pássaros
Pássaros que voam absolvidos
Quero voar
Liberdade! Liberdade!
Quero pensar alto
Sonhar acordado
Cantar todas as canções proibidas
Desatar nós das mãos dos meus companheiros
Caros companheiros
Vou desenhar meu próprio rastro
Sem pisar em pegadas marcadas
Quero ser poeta, cantor, pintor, filósofo
Ou rebelde como gostam de chamar
Quero ser eu
Com todos os meus anseios e segredos
Eloqüência e impetuosidade
Paixões e desamores
Não vou me esconder
Não vou fugir
Vou lutar
Liberdade! Liberdade!
ana maria de abreu siqueira

9 de abril de 2008

Apesar dos meus defeitos


Sei que me entendes
E me amas mesmo com esse meu jeito
Inusitado, vaidoso, ansioso
Com todos meus defeitos
Apesar dos meus dengos,
E minhas vontades inusitadas
Sei que me desejas
Até quando faço bico
E quando respiro em teu ouvido
(ana maria de abreu siqueira)

às vezes sou eu



Sou apenas uma mulher
(Às vezes menina)
Que brinca com as palavras
E ri (e gargalha) do tom faceto de um homem
(Às vezes menino)


Sou apenas uma mulher
(Às vezes adolescente)
Com pretensões de poetisa
Que se inspira com os gracejos de um homem
(Às vezes adolescente)

Sou apenas uma mulher
(Realmente mulher)
Que estremece e suspira
Ao sentir o toque de um homem
(Realmente homem)

Sou apenas uma poetisa
(Sonhadora poetisa)
Invadida por cores, fantasias, anseios
Pelos desenhos de um homem
(De repente poeta)

ana maria de abreu siqueira
(às vezes menina, às vezes mulher, às vezes poetisa)

Imagem:
Dancer with a Basque Tambourine by Jules Cheret
Disponível em: © The Gallery Collection/Corbis (www.corbis.com.br)

16 de julho de 2007

Estou aprendendo


Busco sempre dar o melhor de mim
No entanto o melhor de mim ainda está por vir
Pois minha vida é um constante aprendizado
E vejo que posso ser ainda melhor
Quanto mais aprendo
Percebo que ainda falta muito o que aprender

(ana maria de abreu siqueira)


14 de julho de 2007

Sabiá em minha janela...


Ah! Sabiá...
Canta em minha janela
Feito vitrola, violino, arcodeão
Sabiá seu
Voa distraído
Sob o céu meu
E se entoa nossa canção
Fecho os olhos meus
E imagino os olhos seus
Sabiá que sabia
Que meu amor por você
Jamais morreria
E deu-me seus cantares
Ele sabia
Que por você a vida toda esperaria
Canta sabiá
Canta em minha janela
E a cada visita
Traga meu amor com ela
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem retirada do site: http://www.corbis.com.br/



8 de maio de 2007

Lembranças de um verso...


Me vem a lembrança
De um poema que não escrevi
Foi há muito tempo
Um tempo tão distante
Foi um verso silencioso
Que minhas mãos não escreveram
E meus lábios não recitaram
Somente meus pensamentos desenharam
Pobre da minha rica alma poética
Sente-se traídas pelos versos
Abafados e contidos
Estes que deixaram lembranças, apenas...

ana maria de abreu siqueira

imagem: Goya, "O sono da razão"

21 de março de 2007

O Circo, meu circo...






(homenagem a um palhaço)

Se o circo fosse minha casa
Namoraria o palhaço
Bobo e jocoso
Cheio de piadas
E brincadeiras tolas
Só para me fazer sorrir
Iria roubar-lhe beijos
E com ele voar no picadeiro
Como malabaristas
Sem temer cair


Se o circo fosse minha casa
Soltaria os bichos
Dançaria como se ninguém tivesse vendo
Distribuiria todos os ingressos
Lotaria a arquibancada
Apenas com crianças
E com quem se sentisse assim

O meu palhaço
Também mágico
Tiraria da cartola arco-íris
E faria chover estrelas coloridas

Venderia saquinhos de gargalhadas
Balas de mel
E algodão de nuvens doces


(ana maria de abreu siqueira)




Imagem retirada do site:


22 de fevereiro de 2007



A folha branca
Solitária
Sofre
Errante
A espera do poeta
E sua caneta azul
Para deslizar sobre ela

A folha branca
Sem vida
Quer uma história
Pode ter castelo e primavera
Ou um amor acabado
Pode deixar cair lágrimas sofridas
De quem as derrama escrevendo
Borrando o papel

A folha branca
Ansiosa
Espera personagens
Uma moça ou um padre
Um anjo ou uma gaivota
Quer coração
Pulso
Calor

A folha branca
Ousada
Quer sonhos
Quer ser lida
Ser usada
Envelhecer amarelada
Cheia de vida


ana maria de abreu siqueira

3 de fevereiro de 2007

...estou de volta!

Desculpe a ausência
Andei sem tempo
Estava a estudar
Outras ciências
Não as letras
Mas a poesia estava sempre comigo
Não foi ausência de inspiração
Apenas um acúmulo desta
Agora estou de volta
Ainda em meio a números,
ligações químicas, reações bioquímicas
Nascem poesias das minhas mãos

23 de dezembro de 2006

Era uma vez...


Era uma vez
Uma fada e um anjo
Nunca os conheci
Eles vivem em um conto encantado
Dentro de um livro branco
Que eu leio todos os dias

Eles se desejam
Deveras...
Recitam juras de um amor inacabável
Acredito até inabalável
Imagino que insaciável
Talvez insuperável

A fada, longe do anjo
Espera
Fica a sonhar em seu castelo
E põe-se a poetar
O anjo, longe da fada
Tão doce
Suspira a cada encontro
E desenha poesias para se consolar

Uma entidade fantástica
E um ser espiritual
Traduzindo em versos
A alma e o coração


(ana maria de abreu siqueira)

Ramon e Thalita,
Desculpem-me a invasão de suas vidas!
E obrigada pelas leituras poéticas que me oferecem!
Imagem: http://condizer.blogspot.com/



Encanto...


Já o tinha visto passando
E comigo nem se importando
Então fui planejando
Um jeito de lhe jogar um encanto

Enquanto ele dormia
Um feitiço lancei
“Quando o moço acordar
Os meus olhos vai notar”
Quando ele despertou um sorriso já me lançou
Fiquei a pensar
Será que foi meu encanto que pegou?


(ana maria de abreu siqueira)

18 de dezembro de 2006

Varinha...

Uma varinha mágica ...
Assim poderás trazer para junto de ti
...teus desejos
Colar em teu corpo quem está

...muito longe
Realizar sonhos ainda
...tão distantes

(ana maria de abreu siqueira)

10 de dezembro de 2006

Brincadeira...

(Pintura: Kinderreigen, óleo sobre tela - 1872)

Pega, pega
eu te agarro
Pique esconde
em meu corpo
Tuas mãos,
bambolê em minha cintura
Cantigas de roda
sussurradas ao meu ouvido
embalando sonhos
Quem chegar primeiro
realiza um desejo
Quem chegar por último
a prenda é um beijo
Minha mãe mandou
eu escolher este daqui
mas como eu sou teimosa...
Pêra? Uva? Maçã? Ou salada mista?
SALADA MISTA
Brincar der sério?
Já perdi
contigo só sei sorrir

9 de dezembro de 2006

Independente de qualquer coisa...

(escrita há muito tempo)

Há muito tempo conheci um cara que não era só um “um cara”. Foi bem especial encontrá-lo.

Primeiro encontro: um olhar.

Segundo encontro: um sorriso, uma boa conversa, mais sorrisos, vários olhares.

Terceiro encontro: um beijo, o beijo, que beijo.

Quarto encontro: um beijo bem demorado, acompanhado de beijos acalorados.

Quinto encontro: não existiu. Ainda é uma reticência ou uma interrogação, mas creio que tenha sido um ponto final. Depois de escutar: “Independente de qualquer coisa, você é especial.” Ri comigo e depois ri alto. Ele perguntou-me qual a graça, desconversei, mas rio comigo até hoje.

Cá para nós, que ele não tome conhecimento, mas “independente de qualquer coisa” parece prêmio de consolação (continuo rindo). Talvez não tenha sido essa a intenção, mas palavras têm poderes que a própria razão desconhece. Ao proferir tal afirmação, o cara, que não era só “um cara”, tornou apenas “um cara”. Mas em questão de segundos, tudo voltou ao normal, quando meu lado de mulher segura falou mais alto.

Achei a história engraçada porque a mulher sensível que há em mim quase me consumiu, o que teria me deixado aborrecida e triste com o tom jocoso do cara. Diverti-me, por ser madura o suficiente para saber que as pessoas podem sim ser especiais “independente de qualquer coisa”.
Se foi ou não um prêmio de consolação, nunca descobri e, “independente de qualquer coisa”, ele realmente foi especial para mim, sem sarcasmo, apesar do tom jocoso da mulher que aqui escreve.

Pelo menos foi intenso até o quarto encontro (isso sim é consolo) e redeu-me boas poesias. Quem sabe um dia não reencontro “o cara” e descubro se foi mesmo um ponto final, ou apenas reticências e tudo não vire um ponto de exclamação.

Vaga-lume

Tens medo do escuro?
Por que, então, não carregas
contigo vaga-lumes?

Podemos caçá-los ao anoitecer
e guardá-los em teus bolsos.

Poderás caminhar no breu,
precisarás apenas soltá-los
e sair a vagar
com teus vaga-lumes.
Iluminando teu céu
feito fogos de artifício.
E vagar...

...vaga-lume.
Procura-se um anônimo...
(que sabe escrever)
(foto: Kat Callard)

“Lembro destes trechos
Dos traços nestes versos escritos
Até parece nostálgico
Saudoso
Não sei...”

15 de novembro de 2006

Um presente


Para minha amiga clécia

Pensei em dar-te um presente
Um flor lilás
Um barco no cais
Um pôr-do-sol
O canto do rouxinol
A eterna amizade
Um sorriso de verdade
Pensei em dar-te a mão
E o mundo sem solidão
Todas estrelas
E um botão para acendê-las
E para alegrar teu dia
Fiz nascer uma poesia
Com versos rimados
Para ti encomendados
...E por Deus abençoados


(ana maria de abreu siqueira)

Imagem: Reflexos, de Fernado Soares.

12 de novembro de 2006

Todas as palavras que não pude dizer...



As palavras que guardei para você
Nasceram em uma penumbra inventada
Só seus olhos iluminavam
Somente...

As minhas mãos não puderam escrever
Suas mãos me impediram
Passeavam afoitas ao meu redor

A minha boca não pode falar
Sua boca calou-me
E calou-me
E colou-me

As palavras
Nem em poesia pude transformar
Não me restou um resto de raciocínio

Palavras que não pude dizer
Agora as perdi

...
...

(ana maria de abreu siqueira)


Imagem de Rui Bento Alves: O Violoncelo

9 de novembro de 2006

O que faltava


(imagem: "Um pedaço de um grande presente" - ana maria)
A minha parte que faltava
Eu procurei
Eu esperei
Eu não desisti
Eu vi você
Eu acreditei
Eu me entreguei

A minha parte que faltava
Eu encontrei
Me apaixonei
Eu e você
Eu não duvidei

Agora sei
Só você caberia
Nessa minha parte
Que faltava
(ana maria de abreu siqueira)

Entrega

Não quero parecer ousada
Mas não posso ignorar meus sentidos
Tua voluptuosidade me deixa perdida
Tu me afagas com os olhos
Eu me entrego aos teus galanteios
E recolho-me em teus braços

Gosto de sentir o teu cheiro
Respirar o ar que tu respiras
Falar com minha boca na tua
Quando estou contigo
Sinto meu corpo estremecer
Minha inocência teme a indecência
Difícil fugir desse ímpeto

Quando tu olhas nos meus olhos
Meus pensamentos transviam-se
Sem que eu possa me controlar
Quando sinto teu toque
Esqueço meu lado pueril
Sinto um ardor que me contamina
Fecho os olhos para sentir teu calor
Cada detalhe do teu beijo
E os efeitos do teu corpo junto ao meu


(ana maria de abreu siqueira)

6 de novembro de 2006


Até em meus sonhos me persegues?
Já não te bastas minha voz e meu retrato?
As risadas e a poesia?
Já me levaste o juízo e a calma
Agora queres o meu pensar?
(ana maria de abreu siqueira)

5 de novembro de 2006

Me vens com poesias?

Tens uma poesia para mim?
De qual poeta a roubaste?
Quintana, Florbela, Neruda?
Mal me conheces
Sequer sabes meu sobrenome
Ainda assim sentiste minh’alma


De tão compenetrado
Parecia-me irreal qualquer interesse
Mas teus olhos atentos
Ganhou minha atenção
E agora me vens com poesias?
Como vou fugir de ti?


(ana maria de abreu siqueira)

Imagem de Antônio Amen

20 de outubro de 2006

Bobagem!


Você é um bobo!
Tão bobo que me
bobeia!
E, no meio de tanta bobagem,
falamos um monte de
besteiras.

8 de outubro de 2006

Me vês partir
E por trás do meu sorriso sem graça
Engulo a tristeza
Por ter que me despedir
Derramo uma lágrima saudosa
Tão teimosa...
Engulo o choro
Dou um abraço infinito
Tenho vontade de colar nosso beijo
A calma me falta
Meu coração parece esmagar
Posso dar "tchau", "até logo"
Mas é impossível despedir-me de vez

Sempre voltarei
Sempre esperarei
Meus caminhos levam-me a ti
E deixo-me ir e voltar
Quantas vezes preciso for
(ana maria de abreu siqueira)

3 de outubro de 2006

Nós dois...

Eu
Você
Os lençóis
Seus sorrisos
Meus sussurros
Meus sons
Nossos sonhos
Seus ruídos
Nosso silêncio
Meu frio
Meu calor
Seu calor
Nenhuma lágrima
Seus lábios
Eu e você
Minha piada
Sua risada
Só nós dois

Todo poeta fica vulnerável
Expõe-se
Corre o risco de ser questionado
Não sabe guardar seus segredos
Sou poeta
Minhas poesias
Tudo que há em mim
São o mundo que enxergo
Os toques que sinto
Os cheiros que em rodeiam
Os sonhos que almejo
São meus medos e pesadelos
Meus segredos
E estão à mercê dos meus inimigos
As palavras me roubam a privacidade
Minhas mãos entregam meus delitos
Minhas paixões
Minhas inseguranças
Meu passado
Meu presente

3 de setembro de 2006

Me tomou


Amarrotou meu vestido
Assanhou meus cabelos
Borrou minha maquiagem
Quis lutar
Não consegui
Quando me vi
Não estava mais nem aí

(ana maria de abreu siqueira)

Não quero perder você

Já perdi muito na vida
Um brinquedo que adorava
Minha coleção de figurinhas
Um ente querido
Uma festa badalada
Um pôr-do-sol
Um beijo
Uma aula importante
Uma corrida
Um amigo
Um sono tranqüilo
Um sonho infinito
Uma vez até perdi o juízo
Uma floresta com fadas
O último capítulo de um livro
Uma piada
Uma paixão
Um abraço apertado
Uma tarde de sol
Um cometa
Um milhão de estrelas
Perdi sim
Superei todas as vezes
Poderia suportar perder você
Saberia sobreviver sem sua presença
Mas eu não quero lhe perder
Já sou sua e não quero me acostumar sem você


(ana maria de abreu siqueira)

24 de julho de 2006

Não esqueça o que me prometeu!



Você vai vir?
Então não esquece de colocar na bagagem
os beijos que me prometeu
e o amor que disse que é meu
***
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem de Robert Doisneau

16 de julho de 2006

...

(ana maria de abreu siqueira)

13 de julho de 2006

Cilada

Foto de Rui Bonito

Olhar em seus olhos pode ser uma cilada para eu me apaixonar infinitamente.

28 de junho de 2006


Se baterem à porta
Não abra
Para não fugirem os sonhos
Quero agarrar cada segundo
Não desperdiçar um só olhar

Se insistirem
Finja que não escutou
Para não escaparem os suspiros
Não quero perder sua respiração
Quero absorver seu cheiro
Quem sabe me perder
Quem sabe me encontrar

(ana maria de abreu siqueira)

20 de junho de 2006

Mesmo sem inspiração
O Poeta deve confiar na Poesia
Ela fica guardada
Esperando uma apologia poética
E a Poesia
Agradece com sorrisos exaltados
Sempre que é escrita
Obrigada Poeta!
(ana maria de abreu siqueira)

Distração

Distraída
Esbarrei em seu olhar
Sem querer
Tropecei em meus pensamentos
Escorreguei em seu sorriso
Deixei cair o meu juízo
De repente não soube disfarçar
Desajeitada
Não consegui consertar
Desastrada
Derrubei todas as razões
Encurralada
Não pude voltar atrás
Desconcertada
Senti suas mãos em minha nuca
Encabulada
Apenas fechei os olhos

Foi pura distração

(ana maria de abreu siqueira)

30 de maio de 2006



Amo tua boca!
Acho que amava mesmo quando não a sentia. Conheci outras bocas, mas nem lembro o gosto dos outros beijos!
Amo teu estalo na minha bochecha, que avermelha ao sentir calor da tua boca.
Amo tua língua passeando pelos meus lábios.
Amo teus lábios em minha nuca, em meus braços, em meu umbigo.
Amo tua boca correndo nos pedaços meus.
Amo quando me devora. E quando deixa escapar um sorriso no meio de um beijo.
* * *
(ana maria de abreu siqueira)

15 de maio de 2006

Minha mãe

Já tinha publicado no meu antigo blog, mas em homenagem ao dia das mães, vou republicar! É uma poesia simples, escrevi como criança mesmo, pois é assim que me sinto ao lado dessa mulher maravilhosa.

Esta poesia é para ofertar
A quem não pode me ver chorar
Que vem correndo me embalar
Como se fosse me ninar

Ela me ensinou a falar
Segurou-me quando aprendia a andar
Ensinou-me a sonhar
E nunca desistir de lutar

Com ela posso contar
Estando eu em qualquer lugar
Se me perder, ela vai me encontrar
Se eu cair, ela vai me levantar

Passe o tempo que passar
Tudo que conquistar
É dela que primeiro vou lembrar
Pois em meus sonhos me fez acreditar

E se um dia eu tropeçar
É nela que vou pensar
Mulher que sabe lutar
Minha mãe, pra sempre vou amar

2 de maio de 2006

- Eu me senti renovado depois desta virose!
- Nossa! Porque não me passou esse vírus? Estou precisando dele!
- Olha, foi ruim, fiquei 3 noites sem dormir, dores fortes de cabeça! Você não pode estar falando sério! Ficar doente assim!
- Ah! Estou sim, pode apostar! Quero ficar renovada também, e não tenho conseguido! Talvez com o seu vírus...

Na verdade ele me enrolou e não me deu o vírus! Acho que ele quer que eu encontre o meu próprio vírus da renovação! Fiquei meio aborrecida por ter me negado o que pedi, mas depois parei para pensar e percebi que ele me deu outro presente, bem diferente (e melhor). Ele me ajudou a perceber que tudo pode estar ruim, mas só assim se chega à renovação! Eu tenho um vírus, não o mesmo que ele teve, mas dói também, até passo algumas noites sem dormir, mas assim que eu começar a tomar os medicamentos certos, a renovação virá!

1 de maio de 2006


Estava pensando na tua boca!


Tua boca que me ofertas palavras apaixonadas, promessas de união, desejos sussurrados, risadas embriagadas. Essa tua boca que conhece meu território, pois, por diversas vezes, passeou em mim. Tua boca que se apodera da minha língua como se fosse um bem estimado. E tua língua invade minha boca como se fosse tua casa. Tua boca, mesmo silenciosa, diz que desejas a minha, avivando meus anseios, me fazendo desejar veementemente beijar-te. Quero tua boca na minha boca, em meus olhos, em minha nuca, em meu ventre...
Ah!Se tua boca permanecesse em mim!
(ana maria de abreu siqueira)
(Foto de Ricardo Tavares)
Quem lia meu antigo blog vai reconhecer!

29 de abril de 2006

Sob o Sol da Toscana


"Se você encontra algo bom deve
ater-ser a ele até a hora de soltar!"
(Do filme Sob o Sol de Toscana, baseado no livro de Frances Mayes, com o mesmo título)
Agarro-me em você
Prendo meus pensamentos em seu sorriso
Enlaço meus braços em teus ombros
Seguro sua mão
E deixo-o me segurar onde quiser
Como quiser
Quando quiser
Colo nossos umbigos
Deixo me escorregar do seu jeito
Caso minha boca com a sua
Só solto quando você ordenar
E enquanto isso
Estou pronta para seu desejar
(ana maria de abreu siqueira)

28 de abril de 2006

Tua Companhia!


Meu amor, tão longa espera,
anseio tua companhia
e tudo que vem com ela!
...
Quando findará esta distância?
Desejo tua presença todos os dias
durante toda a minha vida.
Quero que minha vida
não seja só vida minha,
que seja vida tua, nossa vida!
...
Cansei de ser só eu,
quero te ser, ser nós dois
e um dia ser nós três!
(ana maria de abreu siqueira)

24 de abril de 2006

Teus ombros sustentam meus abraços
Teus dedos desatam meus laços
Teu sorriso me tira o cansaço
Tu preenches meus espaços
Sou tua sem qualquer embaraço
Descubro os teus traços

E só penso estar em teus braços
(ana maria de abreu siqueira)

22 de abril de 2006

Olhos de Microscópio

Tão simples
E tão maravilhoso
Deixe sempre seus olhos abertos
Enxergue pequenas atitudes positivas
Gestos singelos
Sinais espontâneos
Impulsos naturais
Tenha olhos de microscópio
Veja a essência
Alcance o invisível a olho nu

11 de abril de 2006

Meus olhos...

Sou meus olhos
Eles refletem quem sou e quem estou
Por vezes minhas atitudes são alheias aos meus pensamentos
E meus olhos, não contradizem as minhas convicções
Sei perfeitamente dizer não quando meu querer é sim
E vice-versa
Minha boca até aprendeu a enganar quando necessário
E meus olhos, estes não acompanharam a lição
São péssimos mentirosos
Se minha boca tiver que mentir
Meus olhos precisam esconder-se
E com meus olhos escondidos...
Quem vai acreditar em mim?
(Ana Maria de Abreu)

5 de abril de 2006

Em meu corpo tatuarei lembranças
Minha vida eternizada
Em minha pele tão surrada

No peito tatuarei os amigos
Antigos amigos e novos amigos
Sinceros amigos
Nas costas, os meus erros
Para sentir seus pesares
E não mais cometê-los
Os beijos esperados, roubados, apaixonados
Em meus lábios vão ficar
Em minhas pernas, as minhas andanças
Em meu pés, todas as danças
Em minhas coxas ficarão minhas paixões
Em meus ouvidos, as canções
Em meus braços, sabedoria
Em meus dedos, minhas prosas e poesias
Minha família tatuarei em meu sangue
E em meu ventre
Meu grande amor eternizarei
E todos os filhos que terei


(Ana Maria de Abreu)

Onde estou?

Acho que me perdi
As fachadas estão diferentes
Ou então vim parar em uma rua desconhecida
Confundo os meus passos
O chão onde piso não é mais igual
Poso voltar mil passos
Ainda assim desconheço o terreno
O céu é o mesmo
Afinal, estamos sob o mesmo teto divino
Em qual estrada me perdi?
Como não pude perceber antes?
No início é tudo tão parecido
Perdi-me em algum sorriso?
Confundi-me em qualquer olhar?
Desviei minha atenção
E quando dei conta
Passei despercebida da entrada certa
Tanto ficou para trás
E agora não sei como voltar

(Ana Maria de Abreu)

2 de abril de 2006

Menina Linda! O nome dela é Poesia!

Conheci uma menina
Que sorriu meio sem graça
E disse-me com uma voz tímida:
“Oi! Meu nome é Poesia!”
Queria brincar,
Olhou em meus olhos,
Segurou a minha mão, e disse: “Vem, eu vou ensinar!”
E entregou-me todas as letras do alfabeto!
“Vai, escreve!”
Eu, meio desajeitada,
Escrevi assim:

Linda poesia

Ela sorriu espontaneamente
E achei até que tinha crescido um pouco mais
E, com uma voz mais alegre:
“Eu quero mais!”

Doce poesia
Reflete meu coração
Alegra-me com seu sorriso
Faz brotar minhas emoções

E foi assim que a Poesia
Minha pequena Poesia
Deixou de ser menina
E virou mulher
Com lindas curvas
Cheia de lembranças e sonhos
Viveu meus amores
Sentiu os meus medos
E desfaleceu suavemente
Feliz por ter vivido
E se eternizado nessas palavras


(Ana Maria de Abreu)


(Foto de Miguel Lopes)

Eu amoooooo Mário Quintana!

"Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz."
(Mário Quintana)
Eu me sinto assim, sempre insatisfeita!Sou feliz com o que tenho, claro! Mas sempre quero algo mais, o conformismo passa é longe de mim, até quando digo: "Tenho que me conformar!"
Ser poeta é isso, estar amoldando-se sempre aos seus sonhos, mesmo que sejam nada verosímeis. Poeta não quer saber se um desejo é plausível ou não. Poeta é um insaciado...
(E, como já disse, um louco!)

Quer sonhar?

Se quer sonhar
Sonhe alto
Lá em cima
Bem alto
Tão alto
Onde os olhos não vêem
Nem os pessimistas
Sonhe tão alto
Até dizerem
- Você é louco!
E você pense:
- Será que sou louco mesmo?
Não tenha medo
Sonhe
Deseje
Sonhe
Lute
Para subir
Subir
E subir
...
Eleve-se
Até onde os outros digam
- Nossa ele foi alto mesmo!
(Ana Maria de Abreu)

1 de abril de 2006

Morro de tédio quando não tenho em quem descarregar todos os carinhos que conservo em mim. Ai, meu Deus! A vontade que tenho é de sair osculando por aí! Mover meu corpo em outro corpo até faiscar. Roçar meu umbigo, até sair dos eixos. Fico enfadada se não me desorientar em olhares.
(ana maria de abreu)
(Imagem do filme Cidade do Anjos)

31 de março de 2006

Meu corpo perto do seu

Quero entender
O que acontece comigo
Quando o sinto tão perto
Minha barriga esquenta
Como se tomasse uma bebida quente
Meu peito sobe e desce
Num ritmo ambíguo
Discreto e voraz
Minha voz quase não sai
Sussurro qualquer coisa
Você finge não entender
E eu não me preocupo em explicar
Com seu rosto cada vez mais próximo
Meus olhos insistem em fechar
Mesmo querendo olhar nos seus
Meus ouvidos só escutam sua respiração
Meus braços não me obedecem
Faço movimentos para afastar seu corpo
E eles só querem abraçá-lo
Meu corpo, então já amolecido
Encosta-se ao seu
Que junto do meu
Ensaia uma dança
Com movimentos suaves
Meus lábios
Sendo instrumentos do meu corpo
E dos meus desejos
Tocam os lábios seus
Aumentam o desejo
Insistente desejo
Do beijo
Esperado beijo
Saudoso beijo
Incontido desejo


(ana maria de abreu)

Sonhei com você


Sonhei com você
Junto a mim e em mim
Sonhei com você
Seus olhos nos meus
Sonhei com você
Um cheiro envolvente
Sonhei com você
Meu corpo querendo senti-lo
Sonhei com você
Minha pele, sua pele
Sonhei com você
Meu calor, seu calor
Sonhei com você
Coração acelerado
Sonhei com você
Minha boca, sua boca
Sonhei com você
Minha língua, sua língua
Sonhei com você
Acordei sem você
Sonhei com você
Mil lágrimas
Sonhei com você
Meu carente coração
Sonhei com você
Só sonhei
(ana maria de abreu)

25 de março de 2006

A Poesia e o Poeta


(foto de Carla Maio - foi assim... - site: www.1000imagens.com)
Hoje não quero ser poeta
Quero ser poesia
Leve poesia
Leve-me poeta

Ansioso poeta
Sou sua poesia
Vaidosa poesia
Escreve-me poeta

Aspira, poeta
A provocativa poesia
Inspira, poesia
O inquieto poeta

Vê, poeta!
Sua suntuosa poesia
Insaciável poesia
Ainda quer mais do poeta
(ana maria de abreu)

Eu sinto você

Eu sinto você
Onde quer que esteja

Não esqueço da sua boca
Nem dela na minha
Nem dela em mim

Não esqueço das suas mãos
Nem do seu toque
Nem de como corpo meu agradece ao senti-las

Não esqueço do seu corpo
Nem do seu cheiro
Nem do seu pesar

Não esqueço da sua voz
Nem dos seus sussurros
Nem do seu silêncio

Não esqueço do franzir da sua testa
Nem das suas reclamações

Nem do som da sua risada

Não lembro quando comecei
A não esquecer você
Só lembro que não o esqueço um segundo

(ana maria de abreu)

Mais uma vez escrevo: "Amo-te"

(foto de anderson fetter, tirada do site: http://www.1000imagens.com/ . Visitem, recomendo.)

Um dia quiseram que eu acreditasse que amor não é sentimento, e sim decisão. Minh’alma de poeta, sonhadora e extremista, não aceitou tal afirmação. Recusei-me a acreditar que amar é mover-se pela razão para decidir.
Hoje aprendi que amar é usar todas as razões e, ao mesmo tempo, esquecer qualquer razão. Amar é sim sentir, mas é também decidir. Amo-te porque sinto e decido todos os dias. Amo-te com todos os sentimentos espontâneos que existem em mim e com toda a razão construída em meu ser.

Amo-te por me ensinar a te aceitar com todos os defeitos que enxergo em teu jeito. Amo-te por não ser perfeito e achar-te tão perfeito para mim.

Amo-te pelas vezes que me despontaste e me fez te perdoar sem deixar mágoas, por sempre tentar não cometer os mesmos erros.

Amo-te pelas lágrimas dolorosas que me fizeram amadurecer. Amo-te pelas lágrimas de felicidade e pelas de saudade.

Amo-te por tua ausência e mais ainda por tua presença.

Amo-te por me fazer esperar-te, por fazer esta espera valer a pena e por recompensar cada segundo de distância.

Amo-te pelos beijos, beijos, beijos... e pelos quase beijos, que me alimentaram tantos desejos.

Amo-te por me fazer esquecer o mundo quando segura meu corpo, como me sinto segura em tuas mãos e por todas as danças da minha pele na tua.

Amo-te por teu cheiro me fazer suspiros e por teus sorrisos me roubar incansáveis sorrisos.

Amo-te por carregar contigo pessoas que me querem bem e por querer bem as que carrego comigo.

Amo-te por motivo algum e por todos os motivos.

Amo-te e reticências...
(ana maria de abreu, para marcelo)

Soneto das tuas vindas

Se escuto o som dos teus passos
meu coração responde afobado
minha mente desenha teus traços
logo estarás ao meu lado

Espero chegarem teus braços
e tenho tanto desejado
que percorram meus pedaços
se pudesse, deixá-los-ia em mim plantados

Se no ar sinto teu cheiro
vou roubá-lo para meu travesseiro
e toda noite atiçar meus desejos

Se, enfim, sinto teu pesar
só lembro de sentir, esqueço de pensar
em meu corpo só quero os teus beijos
(ana maria de abreu)

13 de março de 2006

Uma poesia nasceu após a outra, que mal há colocá-las juntas? Duas inspirações distintas, não há como confundí-las.

um poeta que despoetou
deixando-me sem suas palavras
por que não ofertar-lhe uma poesia?
sem desejos pretensiosos
sem segundas intenções
são apenas palavras de afeto
a um amigo que está dando uma pausa poética

o outro não é poeta
nem de poesias é leitor
mas é meu amor
as poesias que este me inspira são inconfundíveis
para ele escrevo meus desejos, meus anseios, meus sonhos
poesias cheias de pretensões
e até de terceiras intenções
há palavras de afeto e muito mais

Dá para distinguir...

8 de março de 2006

Amo-te


Simplesmente amo-te
Infinitamente
Nunca pára
Amo-te constantemente
E a cada dia
Amo-te profundamente
E se cabe um pouco mais
(sempre cabe)
Amo-te insaciavelmente
E tão longe
Espero-te incansavelmente
Já sou tua
Tua somente
Amo-te desejosamente
E se és meu
Amo-te eternamente
Amo-te simplesmente
(ana maria de abreu)

Despoetou

E o poeta despoetou
Não quer mais desenhar poesias
Escolheu não mais tentar encontrar
Palavras que rimem com desejar
Os versos que guardava no bolso
Alguns ainda não terminados
Foram jogados ao vento
Não quer guardar intenções poéticas
Tem certo medo de magoar alguém
E um enorme pavor de se magoar
Sabe que mágoas são inevitáveis
Mesmo assim despoetou
Cansou de brincar
E as curvas suntuosas da poesia
Tornaram-se uma linha tênue
Mas não existe ex-poeta
É agora um abafado poeta
Em seus pensamentos ainda vagam encontros silábicos
Transformando-se em palavras
Em orações
Em versos
Em poesias
Eu sei que seu coração está a poetar, é inevitável
(ana maria de abreu)

5 de março de 2006

Invasão

Seu jeito de me invadir
Faz-me perder os sentidos
Toma-me como se fosse sua propriedade
Mal me deixa respirar quando me segura
Uma asma me toma
Fico arquejando
Querendo respirar seu cheiro
Meu corpo trôpego pede mais
Não cansa
Só ama
Seu olhar fuzila meu ventre
Que estremece sem controle
Suas mãos apertam minhas pernas
E eu me assusto de tanto desejo
Sem forças, já sou sua
Nessa invasão aos meus territórios
Eu já me rendi
Você se apossou de mim
Aquele poeta é pretensioso
Teima em teimar com a minha teimosia
E eu teimo em dizer que não teimosa
Quando vamos aprender?


O poeta pensa que só ele escreve poesia
Mas a poesia também sabe escrever o poeta

4 de março de 2006


eu acho mais divertido ser maluca
gosto mais de sorrir espontaneamente
de imaginar coisas que não existem
feito criança quando brinca sozinha
inventar falas,amigos,lugares...

(ana maria de abreu)





(A imagem: Foto de uma criança imitando : "O grito de Edvard Munch".)