29 de setembro de 2009

Voou...


Foi no crepúsculo alaranjado que meu passarinho voou
E foi alto e mansinho
Entoando sons doces, de quem ama
Meu passarinho encontrou seu lugar
E esteja onde estiver, sei que me chama
E me ama
Sinto pelas boas lembranças
E se uma lágrima eu derramar
É saudade...
Saudade do seu cantar
(ana maria de abreu siqueira)

25 de agosto de 2009

Ao ver os sonhos ao chão não podia crer que segundos antes estavam todos em suas mãos. Por alguns momentos ficou ali parada a fitá-los, eram seus sonhos! Fez menção de juntá-los, mas uns já estavam despedaçados, outros perderam-se rua abaixo. Segurou uns pedaços, com quem junta cacos de vidro, e seguiu para casa. Quis chorar, mas não derramou uma lágrima sequer. Só caminhou, cabisbaixa, pensado...


"... eles estavam em minhas mãos..."

5 de agosto de 2009

Quero Ser Poeta

Não quero ser um homem qualquer
Seguindo passos de outros
Indo por um caminho já trilhado
Quero andar com meus próprios pés
Pisar em solo virgem
Transformar utopias em realidade
Abrindo espaço
Quero tocar a vida com as mãos
Minhas mãos
Ter sonhos inatingíveis
Rejeito a idéia de aceitar e calar
Quero questionar
Quero ser poeta
Ser amiga íntima do meu caderno
As palavras escritas serão minhas vozes
E quero gritar
Alto, bem alto

Não vou sair desta vida
Sem eternizar meu eu
Podem até esquecer meu rosto
Mas minha essência não morrerá
Será uma eterna lembrança
Palavras não morrem nunca
Nem que jogadas ao vento
Quero meus sonhos vivos
Porque eles são maiores do que o céu
E eu sou maior do que meus sonhos


(ana maria de abreu siqueira)

As Valsas Invisíveis


Certa vez um rapaz chamado Eduardo Trindade visitou meu blog e virei sua fã desde que lí suas primeiras palavras. Ontem estava eu a organizar meu livros e "reabri" o livro desse poeta: As Valsas Invisíveis! O mesmo é vendido em diferentes livrarias, mas preferi comprar direto do autor e, por isso, recebi "um abraço em forma de poesia" (palavras do mesmo)!

É difícil escolher uma posia preferida, mas existe uma que me encanta por demais: "Neve".
(eu já encontrei meu floquinho de neve!)

Outra poesia que me encatou foi "Versos", na qual ele descreve versos que caminham pelas ruas e se encontram, formando rimas... DIVIDO! Precisa ler para ver que associação simples, delicada e bem escrita sobre como nasce uma poesia!
Obrigada pelas palavras, Eduardo!
p.s. Quando estava escrevendo este post descobri que uma outra blogueira, Maggie, escreveu também sobre "As Valsas Invisóveios" confira aqui! Bom, só para confirmar o que escrevi!

20 de julho de 2009

sobre necessidades e desejos

Imagem: vida no meu quintal
(ana maria de abreu siqueira)

Lí um texto sobre necessidades e desejos que me fez pensar como muitas vezes somos tão apegados a coisas materiais e que chegamos a deixar de lado o que realmente tem valor na nossa vida. Esquecemos de enxergar quem está ao nosso redor de tão preocupados que estamos com a hora, com uma reunião, com uma roupa ou objeto que desejamos comprar, com o penteado, com as unhas, com nossos vícios.

Às vezes sofremos por coisas tão pequenas e só percebi isso há pouco tempo, precisei apanhar da vida, precisei passar por algumas situações para realmente aceitar o que eu já sabia, pois existem coisas que a gente sabe, só esquece ou fica tão encantado com nossos bens materiais que fingimos não saber.

Aprendi que o ser vivo é dependente de certas coisas ou seres no que se diz respeito à sua vida. São diversas as nossas necessidades: matérias físicas, espirituais, sentimentais, humanas (fisiológicas). A necessidade é importante para a própria essência do homem.

Minha irmã Ana Carla me ensinou que um grande filósofo, Spinoza, descreveu que o desejo é tristeza ligada à falta de coisas que queremos tanto que pensamos não ser capaz de viver sem possuí-las. Ela, também filósofa, me ensinou que os desejos podem chegar a ser extravagantes, peculiares e, inclusive, nos escravizar. Ensinou-me ainda que não somos capazes de escolher nossos desejos, mas podemos aprender a lidar com eles, que é difícil aprender a perceber a diferença do que é desejo e o que é necessidade, mas quando aprendemos a valorizar pequenas coisas fica fácil de distingui-los.

O que tenho de mais importante e realmente necessário são: minha família, meus amigos, o homem com quem vou compartilhar minha vida, meus conhecimentos e meus valores. Sei que é com eles que vou encontrar paz, segurança, alcançar meus objetivos e realizar meus desejos (desejos também podem ser positivos) de maneira justa sem ser escrava de coisas fúteis.


(ana maria de abreu siqueira)

14 de julho de 2009

Olhares

De todos os olhares, o melhor foi aquele que senti quando meus olhos estavam fechados. Quando ainda perdida no meio de um beijo ouvi sua voz séria e ansiosa sussurrar:

- Casa comigo!

Ao ver seus olhos, calmos e brilhantes mal pude acreditar. Naquele instante só pude pensar:

- Como eu amo esse homem...

Minha voz amarrada na garganta me prendia o fôlego, mas meu olhar lacrimoso disse sim! Sim eternamente!

2 de julho de 2009

...

Imagem: Ana Maria de Abreu Siqueira (Cores do meu jardim - julho 09)

Hoje só quero agradecer! Agradecer pelos presentes que recebo diariamente!

Por mais que existam lágrimas algumas vezes, não significa que não seja agradecida. AMO minha vida, AMO meus amigos, AMO meu futuro esposo, AMO cada conquista, AMO cada lágrima, pois me fazem crescer...

Hoje só quero agradecer pela vida que Deus me dá diariamente!
(ana maria de abreu siqueira)

24 de junho de 2009

Limão, limonada

(Imagem: ana maria de abreu)
No seu quintal havia um limoeiro. Todos os dias enchia a cesta com os limões que ela mesma plantava e colhia. Saía de casa a distribuí-los, não sorria, apenas os entregava a quem passasse na rua, somente para livrar-se dos frutos azedos. Não sentia prazer, talvez não o fizesse por mal, apenas não sabia como livrar-se de algo com sabor amargo.

Seria tão mais feliz se distribuísse limonadas, daquelas geladas e adoçadas, que refrescam feito brisa em dia quente.
(ana maria de abreu siqueira)

17 de junho de 2009

Caleidoscópio


Imagem: Flowers Seen Through Kaleidoscope
Disponível em corbis

No balanço do seu colo
Nos seus braços me enrosco
Minhas mãos atadas a suas mãos
Com meus olhos calados
Desenho desejos
Vejo caleidoscópio
Com as colorações dos seus beijos

Sonho nós dois
No deslizar da sua pele
No vai e vem da rede
As varandas coloridas dançam
Em meus olhos, caleidoscópio

Meus pés aos seus enlaçam
Seu calor, meu calor
Nosso calor
Feito tinta de pintar arco-íris
Caleidoscópio meu...


(ana maria de abreu siqueira)

7 de junho de 2009

Há quem não queira mudar

(Foto: Ana Maria de Abreu - abril de 2009)
Há quem passa a vida na mesma casa
com os mesmos móveis e colchas de retalhos
até quando antigos e puídos

Há quem não saiba fazer amigos
teme sorrir para um desconhecido

Há quem não goste de variar o caminho de volta para casa
custe a acostumar-se com novos sapatos

Há quem não queira mudar
decide acordar e dormir os mesmos costumes
todos os dias, sem perder as manias

(ana maria de abreu siqueira)

2 de junho de 2009

A menina e o livro

(Foto: Ana Maria de Abreu - maio de 2009 - Dias das Mães)

Todos os dias a menina abria o livro e se entristecia ao ver as páginas ainda vazias, brancas como nuvens em um dia de sol. Não compreendia porque sua mãe lhe dera um livro sem contos ou poesias, sequer havia um sumário ou nota de rodapé. Sua mãe lhe disse:

"- Você compreenderá quando a hora chegar, mas terá que descobrir sozinha.”

Passaram dias, meses, anos e o livro ainda sem palavras foi guardado em uma caixa. Um dia, a menina, já mulher, sentiu-se inspirada e abriu aquelas páginas, agora amarelas como o céu de fim de tarde. Pôs-se a escrever, e escreveu, e escreveu, durante dias. Ao acabarem as folhas estava extasiada com a descoberta. Desenhara com palavras sua vida, seus sonhos, medos, anseios, desejos... Demorou tanto para descobrir. Sorriu e agradecida escreveu na primeira página:

Àquela mulher que me fez enxergar quem sou. Dedico.”

1 de junho de 2009

Bolsas Fairy Tale

Para quem ainda não viu, saiu a nova coleção das bolsas Fairy Tale: "Coleção Floresta de Fadas". Inspirada nas florestas que minha imaginação permite acreditar que são cheias de encantos e fadas... Vale a pena conferir no blog:


http://fairytalebolsaseblusas.blogspot.com/


Só para atiçar a imaginação aí vai um dos modelos:


p.s. Só lembrando que as bolsas e blusas Fairy Tale são feitas por mim, minha irmã (Ana Cristina) e minha mãe! Propaganda básica (risos)!

ana maria de abreu siqueira

28 de maio de 2009

Nem toda poesia é feliz

Às vezes a tristeza pode virar poesia, é só cerrar os olhos e imaginar que as palavras de dor também podem voar. Nem toda poesia é feliz, mas quando choro minhas mãos desenham palavras que viram versos. E percebo que meus sonhos podem parecer perto dos meus dedos. E me traz inspiração para transformar as lágrimas em sorrisos e me fazem gargalhar, e sonhar mais, e mais alto, e mais forte. Assim, o mundo não parece tão distante e solitário. Poesia também é isso, é como um despertar para a vida.

19 de maio de 2009

Dizcontos de Fada

(Imagem da minha história feita por Adriana Peliano)

Adriana Peliano é artista plástica e tem um blog (por sinal MARAVILHOSO) chamado Dizcontos de Fada, onde recolhe histórias pessoais sobre contos de fadas. Ela cria uma imagem baseada na sua história, é uma experiência sensacional, pois dá para sentir que capta o que você quer passar. Vale a pena enviar a sua!

Eu fiz a minha e já enviei. O título é Minha Varinha Mágica e você pode conferir aqui:

moça-sereia


Passou dias fitando a praia
Só para olhar aquele moço
Seria o sorriso dele encantado?
Desde a tarde que o vira sentiu-se acordar
Tão logo despertou um desejo incontido de estar com ele
Ficava ali até se pôr o sol
E voltava para o fundo do mar
Solitária, fantasiosa

A sereia enamorada
Um dia foi estar com o moço
Tão deslumbrado ficou que pensou que fosse devaneio
E, seduzido, decidiu não mais acordar
E viver o sonho da moça-sereia
Ora no mar, ora na areia
(ana maria de abreu siqueira)
...para uma amiga sereia
Foto: Mermaid Swiming in the Mediterranean Sea
© Francois Xavier Pelletier/Sygma/Corbis
Disponível em: CORBIS

15 de maio de 2009

...aquele lugar...

(Foto: Maurit (CE) - casa da tia Geninha / abril 2009)

Enquanto atravessava a porteira, lembranças de um passado voavam feito borboletas, passou tempo ainda a admirá-las antes de avançar pelo terreno, como se quisesse decorar o caminho, mesmo sabendo que não era necessário. Sabia andar ali de olhos fechados. A vida não mudou muito naquele lugar, não guardava dúvidas que encontraria o mesmo jardim, a mesma casa, os mesmos rostos, as mesmas gargalhadas, o mesmo gosto de comida, o mesmo cheiro de café.
Algumas coisas nunca mudam, nem precisam, são infindáveis passe o tempo que passar.

(ana maria de abreu siqueira)

7 de maio de 2009

Liberdade, escolha, responsabilidade e compromisso

Foto: autor desconhecido (web)


Lí hoje no blog da minha irmã, Ana Carla (Senta que lá vem a história) uma divagação sobre liberdade, escolha, responsabilidade e compromisso e tem um trecho que preciso dar destaque o qual ela divaga sobre um pensamento de Sartre:

A existência precede a essência" (Sartre)

"Significa que o homem não tem sua vida já pré-determinada antes de nascer. Ao contrário, ele é o que projeta ser. Ele é livre e, a cada momento, escolhe o que tem de ser." Ana Carla

Vale a pena entrar no seu blog e ler o texto completo, pois nos faz pensar em pequenos detalhes que o homens esquecem (ou fingem esquecer) de seguir, como "Ser responsável é criar os próprios valores, mas que estes sejam válidos para toda a humanidade.".

Refletindo sobre a sua divagação eu concluo, a humanidade precisa de empatia... Isso sim!
(ana maria de abreu siqueira)

Todas as vezes que te conheci...


A primeira vez que te conheci não me surpreendi, foi simplesmente você ali, apertando minha mão e sorrindo simpático. As primeiras palavras que não me recordo, mas não foram além gentilezas triviais.

Não demorou muito tempo até conhecê-lo pela segunda vez, deu-se quando percebi seu sorriso acompanhado de um olhar encantador. Algumas palavras soavam confusas, todavia gostava de tentar entender as entrelinhas e fazer brincadeiras para deixar-te também confuso. A verdade é que sentia-me bastante confortável ao teu lado. E entre um sorriso e outro pude ler teus lábios, mas diversas vezes fiz-me de tola, desentendida do que sentia. Talvez fosse medo de apaixonar-me, como se já não o estivesse.

Quando te conheci pela terceira vez estávamos a sós, disseste-me simplesmente algumas poucas palavras perdidas, as quais retorqui meio sem graça. Fiquei a paquerar-te por alguns instantes e quando me dei conta, recolhi todos os meus receios e cerrei os olhos como se, dessa forma, pudesse sentir melhor cada detalhe dos seus lábios passeando pelos meus e das suas mãos deslizando em minha nuca suavemente. No entanto, vez em quando me peguei com os olhos entreabertos, não recordo ao certo porque o fazia, gosto de acreditar que queria guardar aquela imagem e todos os detalhes daquele momento.

Deixei-me esquecer de todo o resto até perder a consciência, como bem descreve Machado de Assis, “Ficamos ali somando as nossas ilusões, os nossos temores, começando já a somar as nossas saudades”*. Naquele momento tive a certeza de não mais querer estar longe de teu corpo. Desde então já te conheci diversas vezes, te conheci como namorado, amante, amigo, companheiro, zangado, alegre, triste, amável, noivo, desligado, divertido; e cada dia, mesmo após tanto tempo, ainda me encontro enamorada e me pego fechando os olhos para sentir melhor seus lábios e o deslizar se suas mãos.

(ana maria de abreu siqueira)
Foto: Mauriti / CE (abril de 2009)
* trecho do livro Dom Casmurro

17 de abril de 2009

amigos


Em pequenos gestos podemos perceber votos sinceros de amizade.


(É tão bom ter amigos)


Foto: Meus primos Jonas e Ivan no açude do nosso avô.
(Maranguape - CE)

15 de abril de 2009

Se...


Se as mãos estão atadas
Se os pés estão enlaçados
Se o desejo é incontido
Se as juras são eternas
Se a saudade é incontável
Se o amor é imutável
Por que não sermos um só?


(ana maria de abreu siqueira)

Foto: Mauriti (CE) - abril de 2009

25 de março de 2009

Mágoa

- Por que não cintilam mais teus olhos?
- São minhas mágoas, repliquei.
- E elas lhe doem tanto assim?
- Sim, e faço-me cárcere dessa dor sem fim.


Pudera eu libertar essa dor
Onde hei buscar consolo?
Se choro é porquê me dói
Ao lembrar-me daquela voz hesitante
Acompanhada confissões dolentes
Enquanto escutava buscava manter-me calma
Doía dentro, em mim
Meu peito se fez ferida
E teu olhar se fez medroso e afoito
Querendo roubar-me qualquer vestígio de esperança
Impossível desvencilhar desse amor
Pudera eu perdoar
Quisera eu esquecer


- Ainda me aborreço e, de tanta fadiga, mal posso dormir.
- Vou respeitar tuas lágrimas e lástimas.
- Receio perder a alegria, respondi hesitante.
Apenas encostou minha cabeça em seu peito e disse:
- Peço-te perdão. Não estou impassível e meu amor por ti é infindável.
Minha voz trêmula fez promessa:
- Prometo tentar, chorei em silêncio.
Pensei em dizer o quanto o amo, mas guardei em mim. Para quando eu acordar desse pesadelo.



(ana maria de abreu siqueira)

10 de março de 2009

Defesa do Mestrado (06 de março de 2009)


Antes de voltar a poetar vou explicar porque passei um tempo sem escrever. Estava caminhando no mundo da pesquisa em alimentos, me dedicando exclusivamente ao meu projeto do mestrado. Estudando conceitos de conservação pós-colheita de frutos, análises químicas, livros, artigos e mais artigos para ler, composição química e física da goiaba, processo de transferência de calor, curvas de resfriamento, modelo matemático, análise sensorial. Não cochilei no ponto, como se diz popularmente. Não mesmo. Foram 2 anos de mestrado que valeram cada esforço, cada noite sem dormir, cada falta de tempo para comer, algumas festas perdidas, cada unha quebrada, cada lágrima.

Enfim, sou mestre! E escrever isso dá uma sensação inexplicável, uma mistura de dever cumprido, alívio, felicidade, orgulho e (acreditem!) saudade. É sim, saudade! Não se surpreendam, apesar do cansaço e dos problemas enfrentados, a experiência foi importante não só para a minha formação profissional, mas, principalmente, para a minha formação pessoal. Enfrentar desafios me faz acreditar que posso voar cada vez mais alto. E eu quero mais, sempre mais!
Agora vem o próximo desafio: doutorado!


(ana maria de abreu siqueira)


Momento em que foi anunciado o título (06 de março de 2009)

Aprendi a voar

Quando criança queria aprender a voar e realizar sonhos
Desejei ter nascido fada
Com asas longas e varinha de condão
Daí eu cresci
E hoje acredito que sou fada
Pois percebi que posso voar
Voar alto
Voar longe
E posso até realizar meus sonhos


Minha varinha mágica?
A fé e a força



(ana maria de abreu siqueira)
Imagem: "Girl Dressed as Fairy Playing in Garden" (₢ Moodboard / Corbis)
Disponível em: www.corbis.com