31 de março de 2006

Meu corpo perto do seu

Quero entender
O que acontece comigo
Quando o sinto tão perto
Minha barriga esquenta
Como se tomasse uma bebida quente
Meu peito sobe e desce
Num ritmo ambíguo
Discreto e voraz
Minha voz quase não sai
Sussurro qualquer coisa
Você finge não entender
E eu não me preocupo em explicar
Com seu rosto cada vez mais próximo
Meus olhos insistem em fechar
Mesmo querendo olhar nos seus
Meus ouvidos só escutam sua respiração
Meus braços não me obedecem
Faço movimentos para afastar seu corpo
E eles só querem abraçá-lo
Meu corpo, então já amolecido
Encosta-se ao seu
Que junto do meu
Ensaia uma dança
Com movimentos suaves
Meus lábios
Sendo instrumentos do meu corpo
E dos meus desejos
Tocam os lábios seus
Aumentam o desejo
Insistente desejo
Do beijo
Esperado beijo
Saudoso beijo
Incontido desejo


(ana maria de abreu)

Um comentário:

Sidarta disse...

Puxa, este poema me deu uma vontade tremenda de rolar na areia da praia, de tocar as dunas douradas e me deitar nelas até bronzear. Ah... Nada melhor do que esfregar-se na areia molhada do mar, trocando poesia, não acha? Os poetas são mesmo uns iludidos... Rs Mas eles não desistem nunca de achar os melhores versos, os que melhor se encaixam com a mensagem desejada!!! Beijos, minha querida poeta!!!