8 de março de 2006

Despoetou

E o poeta despoetou
Não quer mais desenhar poesias
Escolheu não mais tentar encontrar
Palavras que rimem com desejar
Os versos que guardava no bolso
Alguns ainda não terminados
Foram jogados ao vento
Não quer guardar intenções poéticas
Tem certo medo de magoar alguém
E um enorme pavor de se magoar
Sabe que mágoas são inevitáveis
Mesmo assim despoetou
Cansou de brincar
E as curvas suntuosas da poesia
Tornaram-se uma linha tênue
Mas não existe ex-poeta
É agora um abafado poeta
Em seus pensamentos ainda vagam encontros silábicos
Transformando-se em palavras
Em orações
Em versos
Em poesias
Eu sei que seu coração está a poetar, é inevitável
(ana maria de abreu)

Um comentário:

Sidarta disse...

Annamour,

Você me retratou bem, com um nível de acerto elevado. Mas eu não tenho medo de me magoar, é que estou sendo pragmático mesmo. Estou me afastando do que não está me dando resultado. Mas a poesia já é parte de mim sim, e ela voltará assim que eu estiver com uma cabeça melhor, com um encaminhamento em minha vida. É que agora tenho outras prioridades.

Beijos, e obrigado pelo poema.