24 de junho de 2009

Limão, limonada

(Imagem: ana maria de abreu)
No seu quintal havia um limoeiro. Todos os dias enchia a cesta com os limões que ela mesma plantava e colhia. Saía de casa a distribuí-los, não sorria, apenas os entregava a quem passasse na rua, somente para livrar-se dos frutos azedos. Não sentia prazer, talvez não o fizesse por mal, apenas não sabia como livrar-se de algo com sabor amargo.

Seria tão mais feliz se distribuísse limonadas, daquelas geladas e adoçadas, que refrescam feito brisa em dia quente.
(ana maria de abreu siqueira)

17 de junho de 2009

Caleidoscópio


Imagem: Flowers Seen Through Kaleidoscope
Disponível em corbis

No balanço do seu colo
Nos seus braços me enrosco
Minhas mãos atadas a suas mãos
Com meus olhos calados
Desenho desejos
Vejo caleidoscópio
Com as colorações dos seus beijos

Sonho nós dois
No deslizar da sua pele
No vai e vem da rede
As varandas coloridas dançam
Em meus olhos, caleidoscópio

Meus pés aos seus enlaçam
Seu calor, meu calor
Nosso calor
Feito tinta de pintar arco-íris
Caleidoscópio meu...


(ana maria de abreu siqueira)

12 de junho de 2009

7 de junho de 2009

Há quem não queira mudar

(Foto: Ana Maria de Abreu - abril de 2009)
Há quem passa a vida na mesma casa
com os mesmos móveis e colchas de retalhos
até quando antigos e puídos

Há quem não saiba fazer amigos
teme sorrir para um desconhecido

Há quem não goste de variar o caminho de volta para casa
custe a acostumar-se com novos sapatos

Há quem não queira mudar
decide acordar e dormir os mesmos costumes
todos os dias, sem perder as manias

(ana maria de abreu siqueira)

2 de junho de 2009

A menina e o livro

(Foto: Ana Maria de Abreu - maio de 2009 - Dias das Mães)

Todos os dias a menina abria o livro e se entristecia ao ver as páginas ainda vazias, brancas como nuvens em um dia de sol. Não compreendia porque sua mãe lhe dera um livro sem contos ou poesias, sequer havia um sumário ou nota de rodapé. Sua mãe lhe disse:

"- Você compreenderá quando a hora chegar, mas terá que descobrir sozinha.”

Passaram dias, meses, anos e o livro ainda sem palavras foi guardado em uma caixa. Um dia, a menina, já mulher, sentiu-se inspirada e abriu aquelas páginas, agora amarelas como o céu de fim de tarde. Pôs-se a escrever, e escreveu, e escreveu, durante dias. Ao acabarem as folhas estava extasiada com a descoberta. Desenhara com palavras sua vida, seus sonhos, medos, anseios, desejos... Demorou tanto para descobrir. Sorriu e agradecida escreveu na primeira página:

Àquela mulher que me fez enxergar quem sou. Dedico.”

1 de junho de 2009

Bolsas Fairy Tale

Para quem ainda não viu, saiu a nova coleção das bolsas Fairy Tale: "Coleção Floresta de Fadas". Inspirada nas florestas que minha imaginação permite acreditar que são cheias de encantos e fadas... Vale a pena conferir no blog:


http://fairytalebolsaseblusas.blogspot.com/


Só para atiçar a imaginação aí vai um dos modelos:


p.s. Só lembrando que as bolsas e blusas Fairy Tale são feitas por mim, minha irmã (Ana Cristina) e minha mãe! Propaganda básica (risos)!

ana maria de abreu siqueira

28 de maio de 2009

Nem toda poesia é feliz

Às vezes a tristeza pode virar poesia, é só cerrar os olhos e imaginar que as palavras de dor também podem voar. Nem toda poesia é feliz, mas quando choro minhas mãos desenham palavras que viram versos. E percebo que meus sonhos podem parecer perto dos meus dedos. E me traz inspiração para transformar as lágrimas em sorrisos e me fazem gargalhar, e sonhar mais, e mais alto, e mais forte. Assim, o mundo não parece tão distante e solitário. Poesia também é isso, é como um despertar para a vida.

19 de maio de 2009

Dizcontos de Fada

(Imagem da minha história feita por Adriana Peliano)

Adriana Peliano é artista plástica e tem um blog (por sinal MARAVILHOSO) chamado Dizcontos de Fada, onde recolhe histórias pessoais sobre contos de fadas. Ela cria uma imagem baseada na sua história, é uma experiência sensacional, pois dá para sentir que capta o que você quer passar. Vale a pena enviar a sua!

Eu fiz a minha e já enviei. O título é Minha Varinha Mágica e você pode conferir aqui:

moça-sereia


Passou dias fitando a praia
Só para olhar aquele moço
Seria o sorriso dele encantado?
Desde a tarde que o vira sentiu-se acordar
Tão logo despertou um desejo incontido de estar com ele
Ficava ali até se pôr o sol
E voltava para o fundo do mar
Solitária, fantasiosa

A sereia enamorada
Um dia foi estar com o moço
Tão deslumbrado ficou que pensou que fosse devaneio
E, seduzido, decidiu não mais acordar
E viver o sonho da moça-sereia
Ora no mar, ora na areia
(ana maria de abreu siqueira)
...para uma amiga sereia
Foto: Mermaid Swiming in the Mediterranean Sea
© Francois Xavier Pelletier/Sygma/Corbis
Disponível em: CORBIS

15 de maio de 2009

...aquele lugar...

(Foto: Maurit (CE) - casa da tia Geninha / abril 2009)

Enquanto atravessava a porteira, lembranças de um passado voavam feito borboletas, passou tempo ainda a admirá-las antes de avançar pelo terreno, como se quisesse decorar o caminho, mesmo sabendo que não era necessário. Sabia andar ali de olhos fechados. A vida não mudou muito naquele lugar, não guardava dúvidas que encontraria o mesmo jardim, a mesma casa, os mesmos rostos, as mesmas gargalhadas, o mesmo gosto de comida, o mesmo cheiro de café.
Algumas coisas nunca mudam, nem precisam, são infindáveis passe o tempo que passar.

(ana maria de abreu siqueira)

7 de maio de 2009

Liberdade, escolha, responsabilidade e compromisso

Foto: autor desconhecido (web)


Lí hoje no blog da minha irmã, Ana Carla (Senta que lá vem a história) uma divagação sobre liberdade, escolha, responsabilidade e compromisso e tem um trecho que preciso dar destaque o qual ela divaga sobre um pensamento de Sartre:

A existência precede a essência" (Sartre)

"Significa que o homem não tem sua vida já pré-determinada antes de nascer. Ao contrário, ele é o que projeta ser. Ele é livre e, a cada momento, escolhe o que tem de ser." Ana Carla

Vale a pena entrar no seu blog e ler o texto completo, pois nos faz pensar em pequenos detalhes que o homens esquecem (ou fingem esquecer) de seguir, como "Ser responsável é criar os próprios valores, mas que estes sejam válidos para toda a humanidade.".

Refletindo sobre a sua divagação eu concluo, a humanidade precisa de empatia... Isso sim!
(ana maria de abreu siqueira)

Todas as vezes que te conheci...


A primeira vez que te conheci não me surpreendi, foi simplesmente você ali, apertando minha mão e sorrindo simpático. As primeiras palavras que não me recordo, mas não foram além gentilezas triviais.

Não demorou muito tempo até conhecê-lo pela segunda vez, deu-se quando percebi seu sorriso acompanhado de um olhar encantador. Algumas palavras soavam confusas, todavia gostava de tentar entender as entrelinhas e fazer brincadeiras para deixar-te também confuso. A verdade é que sentia-me bastante confortável ao teu lado. E entre um sorriso e outro pude ler teus lábios, mas diversas vezes fiz-me de tola, desentendida do que sentia. Talvez fosse medo de apaixonar-me, como se já não o estivesse.

Quando te conheci pela terceira vez estávamos a sós, disseste-me simplesmente algumas poucas palavras perdidas, as quais retorqui meio sem graça. Fiquei a paquerar-te por alguns instantes e quando me dei conta, recolhi todos os meus receios e cerrei os olhos como se, dessa forma, pudesse sentir melhor cada detalhe dos seus lábios passeando pelos meus e das suas mãos deslizando em minha nuca suavemente. No entanto, vez em quando me peguei com os olhos entreabertos, não recordo ao certo porque o fazia, gosto de acreditar que queria guardar aquela imagem e todos os detalhes daquele momento.

Deixei-me esquecer de todo o resto até perder a consciência, como bem descreve Machado de Assis, “Ficamos ali somando as nossas ilusões, os nossos temores, começando já a somar as nossas saudades”*. Naquele momento tive a certeza de não mais querer estar longe de teu corpo. Desde então já te conheci diversas vezes, te conheci como namorado, amante, amigo, companheiro, zangado, alegre, triste, amável, noivo, desligado, divertido; e cada dia, mesmo após tanto tempo, ainda me encontro enamorada e me pego fechando os olhos para sentir melhor seus lábios e o deslizar se suas mãos.

(ana maria de abreu siqueira)
Foto: Mauriti / CE (abril de 2009)
* trecho do livro Dom Casmurro

17 de abril de 2009

amigos


Em pequenos gestos podemos perceber votos sinceros de amizade.


(É tão bom ter amigos)


Foto: Meus primos Jonas e Ivan no açude do nosso avô.
(Maranguape - CE)

15 de abril de 2009

Se...


Se as mãos estão atadas
Se os pés estão enlaçados
Se o desejo é incontido
Se as juras são eternas
Se a saudade é incontável
Se o amor é imutável
Por que não sermos um só?


(ana maria de abreu siqueira)

Foto: Mauriti (CE) - abril de 2009

25 de março de 2009

Mágoa

- Por que não cintilam mais teus olhos?
- São minhas mágoas, repliquei.
- E elas lhe doem tanto assim?
- Sim, e faço-me cárcere dessa dor sem fim.


Pudera eu libertar essa dor
Onde hei buscar consolo?
Se choro é porquê me dói
Ao lembrar-me daquela voz hesitante
Acompanhada confissões dolentes
Enquanto escutava buscava manter-me calma
Doía dentro, em mim
Meu peito se fez ferida
E teu olhar se fez medroso e afoito
Querendo roubar-me qualquer vestígio de esperança
Impossível desvencilhar desse amor
Pudera eu perdoar
Quisera eu esquecer


- Ainda me aborreço e, de tanta fadiga, mal posso dormir.
- Vou respeitar tuas lágrimas e lástimas.
- Receio perder a alegria, respondi hesitante.
Apenas encostou minha cabeça em seu peito e disse:
- Peço-te perdão. Não estou impassível e meu amor por ti é infindável.
Minha voz trêmula fez promessa:
- Prometo tentar, chorei em silêncio.
Pensei em dizer o quanto o amo, mas guardei em mim. Para quando eu acordar desse pesadelo.



(ana maria de abreu siqueira)

10 de março de 2009

Defesa do Mestrado (06 de março de 2009)


Antes de voltar a poetar vou explicar porque passei um tempo sem escrever. Estava caminhando no mundo da pesquisa em alimentos, me dedicando exclusivamente ao meu projeto do mestrado. Estudando conceitos de conservação pós-colheita de frutos, análises químicas, livros, artigos e mais artigos para ler, composição química e física da goiaba, processo de transferência de calor, curvas de resfriamento, modelo matemático, análise sensorial. Não cochilei no ponto, como se diz popularmente. Não mesmo. Foram 2 anos de mestrado que valeram cada esforço, cada noite sem dormir, cada falta de tempo para comer, algumas festas perdidas, cada unha quebrada, cada lágrima.

Enfim, sou mestre! E escrever isso dá uma sensação inexplicável, uma mistura de dever cumprido, alívio, felicidade, orgulho e (acreditem!) saudade. É sim, saudade! Não se surpreendam, apesar do cansaço e dos problemas enfrentados, a experiência foi importante não só para a minha formação profissional, mas, principalmente, para a minha formação pessoal. Enfrentar desafios me faz acreditar que posso voar cada vez mais alto. E eu quero mais, sempre mais!
Agora vem o próximo desafio: doutorado!


(ana maria de abreu siqueira)


Momento em que foi anunciado o título (06 de março de 2009)

Aprendi a voar

Quando criança queria aprender a voar e realizar sonhos
Desejei ter nascido fada
Com asas longas e varinha de condão
Daí eu cresci
E hoje acredito que sou fada
Pois percebi que posso voar
Voar alto
Voar longe
E posso até realizar meus sonhos


Minha varinha mágica?
A fé e a força



(ana maria de abreu siqueira)
Imagem: "Girl Dressed as Fairy Playing in Garden" (₢ Moodboard / Corbis)
Disponível em: www.corbis.com

29 de dezembro de 2008

Meu enlaço


Teus ombros sustentam meus abraços
Teus dedos desatam meus laços
Teu sorriso me tira o cansaço
Tu preenches meus espaços
Sou tua sem qualquer embaraço
Descubro os teus traços
E só penso estar em teus braços


***


(ana maria de abreu siqueira)

Eu e os versos



Escrevo eu
Meus anseios
Meus desejos
Sou minhas palavras
E minhas palavras sou eu
Às vezes nem sei quem é quem
Penso que sou os versos
E que eles me escrevem
___
(ana maria de abreu siqueira)
imagem: © Atlantide Phototravel/Corbis
disponível em: www.corbis.com.br

23 de dezembro de 2008

Minha janela

Comprei uma janela, de madeira puída
Cheia de veios e cor amarela encardida
Velha e pequena
Mas cabia em meu quarto
Exatamente do tamanho do buraco da parede
Encaixei-a e fiquei a fita-la
Achei-a bonita
Talvez fizesse um remendo aqui
Outro aqui
Quem sabe um acolá
Coloquei uma cortina de renda branca
Um jarro com flores amarelas
E um sino dos ventos colorido
Nada mal
Perfeita para debruçar-me
O Sol não resistiu, apaixonou-se
Mandou raios calorosos para presenteá-la
Meu encheu-se de tons alaranjados
O vento, não querendo ficar para trás
Entrou em minha janela
E a saudou dançando com as cortinas
A Lua, enciumada, quis participar da festa
Tratou logo de inventar arte com o Sol
E um show multicor surgiu no céu
E foi assim que nasceu uma janela
...
...minha janela

19 de dezembro de 2008

E a despedida...

- Tenho que ir.
- Ahhhh...
(silêncio)
(pensamentos)
(arfar de peito)
- Então, boa noite!
- Boa lua!
- Boa rua!
- Boa música!
- Boa boemia!
- Bom caminhar!
- Bom esperar!
- Bom sonhar!
- Bom desassossego!
- Bom aconchego!
- Bons desejos!
- Bom recordar!
- Bom me escrever!
- Bom não me esquecer!
- Bom me procurar!

- Eu vou voltar!


(ana maria de abreu siqueira)

28 de novembro de 2008

Como as músicas de Chico

de leve
invade meus ouvidos
manso, devagar,
com notas perfeitas
que se enlaçam feito amantes
letras desenhadas
feito tatuagem
melodia emoldurada
a divagar
como as músicas de Chico
assim...
bossa,
minha nossa...

(ana maria de abreu siqueira)

Ainda sonolenta abri a porta do quarto e fiquei esperando algumas palavras, mas em silêncio entrou no quarto e ficou me olhando, como se esperasse algum movimento meu. Estava cansada demais para discutir qualquer assunto, só queria dormir e sonhar e acordar bem no outro dia.

Deitei de novo, mas não me deixou dormir, ficou ali imóvel a esperar, me incomodando de um jeito que precisei ser ríspida. 'Puxa! Preciso dormir, estou cansada. Não podemos deixar para amanhã?' Mas nada disse, ficou me olhando com um olhar calmo. Percebi então que estava disposta a ficar ali a noite inteira esperando.

Rendi-me, levantei, lavei o rosto, fiz um café e sentei com lápis e papel na mão. Olhei para ela e perguntei o qual era seu desejo. Foi quando percebi que os objetos no meu quarto voavam sutilmente, na folha branca as palavras dançavam, dando as mãos, cantando versos. Pude dormir quando a lua estava indo embora. Antes mesmo de fechar os olhos pude ver a inspiração fechar a porta do quarto cuidadosamente.
(ana maria de abreu siqueira)

29 de outubro de 2008

meu passarinho


Meu passarinho
De tão pequeno, se faz pouquinho
E voa baixinho, devagarzinho
Canta doce, bem levinho
Mas tão longe fica seu ninho
Vou arrumar as malas e pegar o caminho
Seguir até seu cantinho
Só para sentir seu carinho



ana maria de abreu siqueira



(à minha doce e linda Vovó Ana...saudades....)
Foto: Mauriti (CE) - Semana Santa / abril de 2009

13 de outubro de 2008

O que é poesia?



Poesia é quando as palavras se encontram para namorar...
(ana maria de abreu siqueira)

Choro

Esse choro preso em mim...
É somente uma gravata bem apertada em minha garganta
(ana maria de abreu siqueira)

9 de setembro de 2008

Comer gargalhadas


Furtos (e surtos) na madrugada...


- estou com vontade de comer algo que me faça feliz!
- porque, então, você não come gargalhadas?




(ana maria de abreu siqueira e ana carla de abreu siqueira)

8 de setembro de 2008

Meu par

Sabe aquele par de sandálias que mora no outro lado da cidade?
Deveria vir morar morar ao lado meu
(ana maria de abreu siqueira)

Asas nos meus pés

* * *
Ah, se meus pés tivessem asas
Desataria os nós dos meus sapatos
Faria das nuvens minha grama
Riscaria todo o céu
Rodopiando com lápis multicor
* * *
(ana maria de abreu siqueira)

7 de setembro de 2008

Cá com meus botões


A pedidos, poesia a qual ganhei um dos prêmios do X Prêmio Ideal Clube de Literatura (Poesias) / 2007:

Cá com meus botões


Não me conformo com a mesmice
O marasmo me sufoca
Transbordo pensamentos inusitados
Nunca soube estagná-los
Para não cair em descontentamento
Converso cá com meus botões
Completamente excessiva e insana
Alinho palavras
Em versos desalinhados
Arrematando anseios
Graças Deus sou poeta
Insistente
Sobressalente
Veemente
Florescente
Acredito no improvável
Não enxergo o absurdo
Tenho até bom senso
Mas o escondo de vez em quando
Não quero danificar minha loucura
Nem apagar minhas alucinações
A poesia está sacramentada em mim
Sou diferente de todos
Como todos os poetas


(ana maria de abreu siqueira)

Coisas sobre mim...


Nasci em 1978 (sim, sim tenho 30 anos)! Salvei a vida da minha segunda irmã quando ela era bebê. Sempre chupei dedo, hoje parei, mas de vez em quando eu testo para ver se ainda é bom (não tem mais o mesmo gosto). Tenho três irmãs que foram minhas cúmplices nas maiores traquinagens da minha vida, a gente se ama mesmo quando diz que não (coisas de irmãs)! Nunca tive vocação para a música, aos 7 anos minha mãe comprou um violão, mas me apaixonei pelo professor, nunca aprendi uma nota. Gostava de andar com os pés no chão, mas me disseram que eu ia ficar com o pé grande e eu tinha medo. Adorava ir ao cinema com meu pai e andava de mãos dadas com ele toda orgulhosa. Sempre achei minha mãe a mulher mais linda do mundo e fazia um monte de cartinhas com versos para presenteá-la. Colecionei papel de carta. Minhas melhores férias foram na cidade dos meus avós paternos. Surfava de prancha de isopor me sentindo a surfista profissional.


Tinha medo do primeiro beijo. Na adolescência fazia agenda e colava um monte de recortes de revistas para enfeitar. Beijei pela primeira vez aos 14 anos só porque minhas amigas ficaram dizendo que eu já estava velha para isso (que absurdo), não gostei daquele negócio melado, nunca mais beijei o menino de novo e decidi que só ia beijar quando tivesse vontade (demorou tempos para vontade voltar). Hoje eu adoro beijar. Amo poesias, escrever sempre foi um refúgio para eu me sentir melhor. No colégio não era a mais popular, mas conversava com todo mundo. Já me apaixonei por um professor, por um primo, por um melhor amigo, por menino que minha amiga gostava e por um menino que nunca troquei uma palavra.


Sempre quis casar e ter filhos. Já fui pedida em casamento por 3 pessoas diferentes. Já tive uma paixão avassaladora, já beijei um cara que tinha namorada, já fui traída, já beijei meu melhor amigo, nunca beijei um cara assim que conheci. Sempre fui à festa só para dançar. Já tive grandes amores, mas o verdadeiro só conheci aos 26 anos e desde nosso primeiro beijo senti que queria ficar com ele para sempre (vou ficar com ele para sempre). O nome dele é Marcelo, ele é meu companheiro, amante e melhor amigo.


Não posso comer leite e derivados, pois sou intolerante à lactose, mas de vez em quando como porque sou teimosa. O resultado não é algo muito interessante para contar. Não sou muito cuidadosa com minhas unhas, não tenho paciência para ficar indo ao salão.


Amo ler, escrever, artesanato, comer, dançar, dormir, namorar, praia, jujuba, grama, vinho, queijo, fotografia, cozinha, fofoca com as amigas, lua cheia, sol, água, dormir de rede, varanda, brisa, água de coco, edredom, bolsas, aprender e ensinar, falar em público, ser útil, criar.

(ana maria de abreu siqueira)

Foto: Universidade Federal do Ceará - Dept. de Tecnologia de Alimentos

Vai entender o amor!


Sou vascaína
Ele é flamenguista
Sou poetisa
Ele não lê poesias
Quero casar
Ele pensa em comprar uma bicicleta
Eu calço um salto alto
Ele uma sandália Havaiana
Busco uma rotina agitada
Ele uma vida pacata
Mas o amor tem dessas coisas
Quem vai entender?
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem: Foto dos bonequinhos que ganhei do Marcelo (Revolução dos bonecos)

28 de agosto de 2008

Insistência

Me vens com promessas
Perguntas indiretas
Propostas indiscretas
Ainda queres que eu “caia nessa”?

Falas de música e poesia
Me vens com brincadeiras
Um mistura de inocência e heresia
E eu rio das tuas besteiras

Não adianta virdes com flores
Só queres perfumar meus sabores
Mas o que me pedes é um absurdo
Eu digo não e te fazes de surdo

Teu desejo é inconseqüente
Se insistires eu me aborreço
E se vens como um tolo veemente
O que faço? Eu amoleço

Liberdade! Liberdade!


Calar?
Jamais
Vou gritar
Não vou escrever palavras já grafadas
Em caderno de caligrafia
Com linhas tracejadas
Vou deixar meus cabelos crescerem
Minha barba por fazer
Vou pintar os muros
Riscar independência com tinta vermelha
Seguir com pés descalços
Roçando os dedos calejados no verde da grama
Escutar o som do meu caminhar
Passo a passo, como uma melodia loquaz
Deixar o sol laranja arder em meu rosto
Meus cartazes falarão de pássaros
Pássaros que voam absolvidos
Quero voar
Liberdade! Liberdade!
Quero pensar alto
Sonhar acordado
Cantar todas as canções proibidas
Desatar nós das mãos dos meus companheiros
Caros companheiros
Vou desenhar meu próprio rastro
Sem pisar em pegadas marcadas
Quero ser poeta, cantor, pintor, filósofo
Ou rebelde como gostam de chamar
Quero ser eu
Com todos os meus anseios e segredos
Eloqüência e impetuosidade
Paixões e desamores
Não vou me esconder
Não vou fugir
Vou lutar
Liberdade! Liberdade!
ana maria de abreu siqueira

9 de abril de 2008

Apesar dos meus defeitos


Sei que me entendes
E me amas mesmo com esse meu jeito
Inusitado, vaidoso, ansioso
Com todos meus defeitos
Apesar dos meus dengos,
E minhas vontades inusitadas
Sei que me desejas
Até quando faço bico
E quando respiro em teu ouvido
(ana maria de abreu siqueira)

às vezes sou eu



Sou apenas uma mulher
(Às vezes menina)
Que brinca com as palavras
E ri (e gargalha) do tom faceto de um homem
(Às vezes menino)


Sou apenas uma mulher
(Às vezes adolescente)
Com pretensões de poetisa
Que se inspira com os gracejos de um homem
(Às vezes adolescente)

Sou apenas uma mulher
(Realmente mulher)
Que estremece e suspira
Ao sentir o toque de um homem
(Realmente homem)

Sou apenas uma poetisa
(Sonhadora poetisa)
Invadida por cores, fantasias, anseios
Pelos desenhos de um homem
(De repente poeta)

ana maria de abreu siqueira
(às vezes menina, às vezes mulher, às vezes poetisa)

Imagem:
Dancer with a Basque Tambourine by Jules Cheret
Disponível em: © The Gallery Collection/Corbis (www.corbis.com.br)

16 de julho de 2007

Estou aprendendo


Busco sempre dar o melhor de mim
No entanto o melhor de mim ainda está por vir
Pois minha vida é um constante aprendizado
E vejo que posso ser ainda melhor
Quanto mais aprendo
Percebo que ainda falta muito o que aprender

(ana maria de abreu siqueira)


14 de julho de 2007

Sabiá em minha janela...


Ah! Sabiá...
Canta em minha janela
Feito vitrola, violino, arcodeão
Sabiá seu
Voa distraído
Sob o céu meu
E se entoa nossa canção
Fecho os olhos meus
E imagino os olhos seus
Sabiá que sabia
Que meu amor por você
Jamais morreria
E deu-me seus cantares
Ele sabia
Que por você a vida toda esperaria
Canta sabiá
Canta em minha janela
E a cada visita
Traga meu amor com ela
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem retirada do site: http://www.corbis.com.br/



8 de maio de 2007

Lembranças de um verso...


Me vem a lembrança
De um poema que não escrevi
Foi há muito tempo
Um tempo tão distante
Foi um verso silencioso
Que minhas mãos não escreveram
E meus lábios não recitaram
Somente meus pensamentos desenharam
Pobre da minha rica alma poética
Sente-se traídas pelos versos
Abafados e contidos
Estes que deixaram lembranças, apenas...

ana maria de abreu siqueira

imagem: Goya, "O sono da razão"

21 de março de 2007

O Circo, meu circo...






(homenagem a um palhaço)

Se o circo fosse minha casa
Namoraria o palhaço
Bobo e jocoso
Cheio de piadas
E brincadeiras tolas
Só para me fazer sorrir
Iria roubar-lhe beijos
E com ele voar no picadeiro
Como malabaristas
Sem temer cair


Se o circo fosse minha casa
Soltaria os bichos
Dançaria como se ninguém tivesse vendo
Distribuiria todos os ingressos
Lotaria a arquibancada
Apenas com crianças
E com quem se sentisse assim

O meu palhaço
Também mágico
Tiraria da cartola arco-íris
E faria chover estrelas coloridas

Venderia saquinhos de gargalhadas
Balas de mel
E algodão de nuvens doces


(ana maria de abreu siqueira)




Imagem retirada do site:


22 de fevereiro de 2007



A folha branca
Solitária
Sofre
Errante
A espera do poeta
E sua caneta azul
Para deslizar sobre ela

A folha branca
Sem vida
Quer uma história
Pode ter castelo e primavera
Ou um amor acabado
Pode deixar cair lágrimas sofridas
De quem as derrama escrevendo
Borrando o papel

A folha branca
Ansiosa
Espera personagens
Uma moça ou um padre
Um anjo ou uma gaivota
Quer coração
Pulso
Calor

A folha branca
Ousada
Quer sonhos
Quer ser lida
Ser usada
Envelhecer amarelada
Cheia de vida


ana maria de abreu siqueira

3 de fevereiro de 2007

...estou de volta!

Desculpe a ausência
Andei sem tempo
Estava a estudar
Outras ciências
Não as letras
Mas a poesia estava sempre comigo
Não foi ausência de inspiração
Apenas um acúmulo desta
Agora estou de volta
Ainda em meio a números,
ligações químicas, reações bioquímicas
Nascem poesias das minhas mãos

23 de dezembro de 2006

Era uma vez...


Era uma vez
Uma fada e um anjo
Nunca os conheci
Eles vivem em um conto encantado
Dentro de um livro branco
Que eu leio todos os dias

Eles se desejam
Deveras...
Recitam juras de um amor inacabável
Acredito até inabalável
Imagino que insaciável
Talvez insuperável

A fada, longe do anjo
Espera
Fica a sonhar em seu castelo
E põe-se a poetar
O anjo, longe da fada
Tão doce
Suspira a cada encontro
E desenha poesias para se consolar

Uma entidade fantástica
E um ser espiritual
Traduzindo em versos
A alma e o coração


(ana maria de abreu siqueira)

Ramon e Thalita,
Desculpem-me a invasão de suas vidas!
E obrigada pelas leituras poéticas que me oferecem!
Imagem: http://condizer.blogspot.com/



Encanto...


Já o tinha visto passando
E comigo nem se importando
Então fui planejando
Um jeito de lhe jogar um encanto

Enquanto ele dormia
Um feitiço lancei
“Quando o moço acordar
Os meus olhos vai notar”
Quando ele despertou um sorriso já me lançou
Fiquei a pensar
Será que foi meu encanto que pegou?


(ana maria de abreu siqueira)

18 de dezembro de 2006

Varinha...

Uma varinha mágica ...
Assim poderás trazer para junto de ti
...teus desejos
Colar em teu corpo quem está

...muito longe
Realizar sonhos ainda
...tão distantes

(ana maria de abreu siqueira)

10 de dezembro de 2006

Brincadeira...

(Pintura: Kinderreigen, óleo sobre tela - 1872)

Pega, pega
eu te agarro
Pique esconde
em meu corpo
Tuas mãos,
bambolê em minha cintura
Cantigas de roda
sussurradas ao meu ouvido
embalando sonhos
Quem chegar primeiro
realiza um desejo
Quem chegar por último
a prenda é um beijo
Minha mãe mandou
eu escolher este daqui
mas como eu sou teimosa...
Pêra? Uva? Maçã? Ou salada mista?
SALADA MISTA
Brincar der sério?
Já perdi
contigo só sei sorrir

9 de dezembro de 2006

Independente de qualquer coisa...

(escrita há muito tempo)

Há muito tempo conheci um cara que não era só um “um cara”. Foi bem especial encontrá-lo.

Primeiro encontro: um olhar.

Segundo encontro: um sorriso, uma boa conversa, mais sorrisos, vários olhares.

Terceiro encontro: um beijo, o beijo, que beijo.

Quarto encontro: um beijo bem demorado, acompanhado de beijos acalorados.

Quinto encontro: não existiu. Ainda é uma reticência ou uma interrogação, mas creio que tenha sido um ponto final. Depois de escutar: “Independente de qualquer coisa, você é especial.” Ri comigo e depois ri alto. Ele perguntou-me qual a graça, desconversei, mas rio comigo até hoje.

Cá para nós, que ele não tome conhecimento, mas “independente de qualquer coisa” parece prêmio de consolação (continuo rindo). Talvez não tenha sido essa a intenção, mas palavras têm poderes que a própria razão desconhece. Ao proferir tal afirmação, o cara, que não era só “um cara”, tornou apenas “um cara”. Mas em questão de segundos, tudo voltou ao normal, quando meu lado de mulher segura falou mais alto.

Achei a história engraçada porque a mulher sensível que há em mim quase me consumiu, o que teria me deixado aborrecida e triste com o tom jocoso do cara. Diverti-me, por ser madura o suficiente para saber que as pessoas podem sim ser especiais “independente de qualquer coisa”.
Se foi ou não um prêmio de consolação, nunca descobri e, “independente de qualquer coisa”, ele realmente foi especial para mim, sem sarcasmo, apesar do tom jocoso da mulher que aqui escreve.

Pelo menos foi intenso até o quarto encontro (isso sim é consolo) e redeu-me boas poesias. Quem sabe um dia não reencontro “o cara” e descubro se foi mesmo um ponto final, ou apenas reticências e tudo não vire um ponto de exclamação.

Vaga-lume

Tens medo do escuro?
Por que, então, não carregas
contigo vaga-lumes?

Podemos caçá-los ao anoitecer
e guardá-los em teus bolsos.

Poderás caminhar no breu,
precisarás apenas soltá-los
e sair a vagar
com teus vaga-lumes.
Iluminando teu céu
feito fogos de artifício.
E vagar...

...vaga-lume.
Procura-se um anônimo...
(que sabe escrever)
(foto: Kat Callard)

“Lembro destes trechos
Dos traços nestes versos escritos
Até parece nostálgico
Saudoso
Não sei...”

15 de novembro de 2006

Um presente


Para minha amiga clécia

Pensei em dar-te um presente
Um flor lilás
Um barco no cais
Um pôr-do-sol
O canto do rouxinol
A eterna amizade
Um sorriso de verdade
Pensei em dar-te a mão
E o mundo sem solidão
Todas estrelas
E um botão para acendê-las
E para alegrar teu dia
Fiz nascer uma poesia
Com versos rimados
Para ti encomendados
...E por Deus abençoados


(ana maria de abreu siqueira)

Imagem: Reflexos, de Fernado Soares.

12 de novembro de 2006

Todas as palavras que não pude dizer...



As palavras que guardei para você
Nasceram em uma penumbra inventada
Só seus olhos iluminavam
Somente...

As minhas mãos não puderam escrever
Suas mãos me impediram
Passeavam afoitas ao meu redor

A minha boca não pode falar
Sua boca calou-me
E calou-me
E colou-me

As palavras
Nem em poesia pude transformar
Não me restou um resto de raciocínio

Palavras que não pude dizer
Agora as perdi

...
...

(ana maria de abreu siqueira)


Imagem de Rui Bento Alves: O Violoncelo

9 de novembro de 2006

O que faltava


(imagem: "Um pedaço de um grande presente" - ana maria)
A minha parte que faltava
Eu procurei
Eu esperei
Eu não desisti
Eu vi você
Eu acreditei
Eu me entreguei

A minha parte que faltava
Eu encontrei
Me apaixonei
Eu e você
Eu não duvidei

Agora sei
Só você caberia
Nessa minha parte
Que faltava
(ana maria de abreu siqueira)

Entrega

Não quero parecer ousada
Mas não posso ignorar meus sentidos
Tua voluptuosidade me deixa perdida
Tu me afagas com os olhos
Eu me entrego aos teus galanteios
E recolho-me em teus braços

Gosto de sentir o teu cheiro
Respirar o ar que tu respiras
Falar com minha boca na tua
Quando estou contigo
Sinto meu corpo estremecer
Minha inocência teme a indecência
Difícil fugir desse ímpeto

Quando tu olhas nos meus olhos
Meus pensamentos transviam-se
Sem que eu possa me controlar
Quando sinto teu toque
Esqueço meu lado pueril
Sinto um ardor que me contamina
Fecho os olhos para sentir teu calor
Cada detalhe do teu beijo
E os efeitos do teu corpo junto ao meu


(ana maria de abreu siqueira)

6 de novembro de 2006


Até em meus sonhos me persegues?
Já não te bastas minha voz e meu retrato?
As risadas e a poesia?
Já me levaste o juízo e a calma
Agora queres o meu pensar?
(ana maria de abreu siqueira)

5 de novembro de 2006

Me vens com poesias?

Tens uma poesia para mim?
De qual poeta a roubaste?
Quintana, Florbela, Neruda?
Mal me conheces
Sequer sabes meu sobrenome
Ainda assim sentiste minh’alma


De tão compenetrado
Parecia-me irreal qualquer interesse
Mas teus olhos atentos
Ganhou minha atenção
E agora me vens com poesias?
Como vou fugir de ti?


(ana maria de abreu siqueira)

Imagem de Antônio Amen

20 de outubro de 2006

Bobagem!


Você é um bobo!
Tão bobo que me
bobeia!
E, no meio de tanta bobagem,
falamos um monte de
besteiras.

8 de outubro de 2006

Me vês partir
E por trás do meu sorriso sem graça
Engulo a tristeza
Por ter que me despedir
Derramo uma lágrima saudosa
Tão teimosa...
Engulo o choro
Dou um abraço infinito
Tenho vontade de colar nosso beijo
A calma me falta
Meu coração parece esmagar
Posso dar "tchau", "até logo"
Mas é impossível despedir-me de vez

Sempre voltarei
Sempre esperarei
Meus caminhos levam-me a ti
E deixo-me ir e voltar
Quantas vezes preciso for
(ana maria de abreu siqueira)

3 de outubro de 2006

Nós dois...

Eu
Você
Os lençóis
Seus sorrisos
Meus sussurros
Meus sons
Nossos sonhos
Seus ruídos
Nosso silêncio
Meu frio
Meu calor
Seu calor
Nenhuma lágrima
Seus lábios
Eu e você
Minha piada
Sua risada
Só nós dois

Todo poeta fica vulnerável
Expõe-se
Corre o risco de ser questionado
Não sabe guardar seus segredos
Sou poeta
Minhas poesias
Tudo que há em mim
São o mundo que enxergo
Os toques que sinto
Os cheiros que em rodeiam
Os sonhos que almejo
São meus medos e pesadelos
Meus segredos
E estão à mercê dos meus inimigos
As palavras me roubam a privacidade
Minhas mãos entregam meus delitos
Minhas paixões
Minhas inseguranças
Meu passado
Meu presente

3 de setembro de 2006

Me tomou


Amarrotou meu vestido
Assanhou meus cabelos
Borrou minha maquiagem
Quis lutar
Não consegui
Quando me vi
Não estava mais nem aí

(ana maria de abreu siqueira)

Não quero perder você

Já perdi muito na vida
Um brinquedo que adorava
Minha coleção de figurinhas
Um ente querido
Uma festa badalada
Um pôr-do-sol
Um beijo
Uma aula importante
Uma corrida
Um amigo
Um sono tranqüilo
Um sonho infinito
Uma vez até perdi o juízo
Uma floresta com fadas
O último capítulo de um livro
Uma piada
Uma paixão
Um abraço apertado
Uma tarde de sol
Um cometa
Um milhão de estrelas
Perdi sim
Superei todas as vezes
Poderia suportar perder você
Saberia sobreviver sem sua presença
Mas eu não quero lhe perder
Já sou sua e não quero me acostumar sem você


(ana maria de abreu siqueira)

24 de julho de 2006

Não esqueça o que me prometeu!



Você vai vir?
Então não esquece de colocar na bagagem
os beijos que me prometeu
e o amor que disse que é meu
***
(ana maria de abreu siqueira)
Imagem de Robert Doisneau

16 de julho de 2006

...

(ana maria de abreu siqueira)

13 de julho de 2006

Cilada

Foto de Rui Bonito

Olhar em seus olhos pode ser uma cilada para eu me apaixonar infinitamente.

28 de junho de 2006


Se baterem à porta
Não abra
Para não fugirem os sonhos
Quero agarrar cada segundo
Não desperdiçar um só olhar

Se insistirem
Finja que não escutou
Para não escaparem os suspiros
Não quero perder sua respiração
Quero absorver seu cheiro
Quem sabe me perder
Quem sabe me encontrar

(ana maria de abreu siqueira)

20 de junho de 2006

Mesmo sem inspiração
O Poeta deve confiar na Poesia
Ela fica guardada
Esperando uma apologia poética
E a Poesia
Agradece com sorrisos exaltados
Sempre que é escrita
Obrigada Poeta!
(ana maria de abreu siqueira)

Distração

Distraída
Esbarrei em seu olhar
Sem querer
Tropecei em meus pensamentos
Escorreguei em seu sorriso
Deixei cair o meu juízo
De repente não soube disfarçar
Desajeitada
Não consegui consertar
Desastrada
Derrubei todas as razões
Encurralada
Não pude voltar atrás
Desconcertada
Senti suas mãos em minha nuca
Encabulada
Apenas fechei os olhos

Foi pura distração

(ana maria de abreu siqueira)

30 de maio de 2006



Amo tua boca!
Acho que amava mesmo quando não a sentia. Conheci outras bocas, mas nem lembro o gosto dos outros beijos!
Amo teu estalo na minha bochecha, que avermelha ao sentir calor da tua boca.
Amo tua língua passeando pelos meus lábios.
Amo teus lábios em minha nuca, em meus braços, em meu umbigo.
Amo tua boca correndo nos pedaços meus.
Amo quando me devora. E quando deixa escapar um sorriso no meio de um beijo.
* * *
(ana maria de abreu siqueira)

15 de maio de 2006

Minha mãe

Já tinha publicado no meu antigo blog, mas em homenagem ao dia das mães, vou republicar! É uma poesia simples, escrevi como criança mesmo, pois é assim que me sinto ao lado dessa mulher maravilhosa.

Esta poesia é para ofertar
A quem não pode me ver chorar
Que vem correndo me embalar
Como se fosse me ninar

Ela me ensinou a falar
Segurou-me quando aprendia a andar
Ensinou-me a sonhar
E nunca desistir de lutar

Com ela posso contar
Estando eu em qualquer lugar
Se me perder, ela vai me encontrar
Se eu cair, ela vai me levantar

Passe o tempo que passar
Tudo que conquistar
É dela que primeiro vou lembrar
Pois em meus sonhos me fez acreditar

E se um dia eu tropeçar
É nela que vou pensar
Mulher que sabe lutar
Minha mãe, pra sempre vou amar