13 de março de 2006

Uma poesia nasceu após a outra, que mal há colocá-las juntas? Duas inspirações distintas, não há como confundí-las.

um poeta que despoetou
deixando-me sem suas palavras
por que não ofertar-lhe uma poesia?
sem desejos pretensiosos
sem segundas intenções
são apenas palavras de afeto
a um amigo que está dando uma pausa poética

o outro não é poeta
nem de poesias é leitor
mas é meu amor
as poesias que este me inspira são inconfundíveis
para ele escrevo meus desejos, meus anseios, meus sonhos
poesias cheias de pretensões
e até de terceiras intenções
há palavras de afeto e muito mais

Dá para distinguir...

8 de março de 2006

Amo-te


Simplesmente amo-te
Infinitamente
Nunca pára
Amo-te constantemente
E a cada dia
Amo-te profundamente
E se cabe um pouco mais
(sempre cabe)
Amo-te insaciavelmente
E tão longe
Espero-te incansavelmente
Já sou tua
Tua somente
Amo-te desejosamente
E se és meu
Amo-te eternamente
Amo-te simplesmente
(ana maria de abreu)

Despoetou

E o poeta despoetou
Não quer mais desenhar poesias
Escolheu não mais tentar encontrar
Palavras que rimem com desejar
Os versos que guardava no bolso
Alguns ainda não terminados
Foram jogados ao vento
Não quer guardar intenções poéticas
Tem certo medo de magoar alguém
E um enorme pavor de se magoar
Sabe que mágoas são inevitáveis
Mesmo assim despoetou
Cansou de brincar
E as curvas suntuosas da poesia
Tornaram-se uma linha tênue
Mas não existe ex-poeta
É agora um abafado poeta
Em seus pensamentos ainda vagam encontros silábicos
Transformando-se em palavras
Em orações
Em versos
Em poesias
Eu sei que seu coração está a poetar, é inevitável
(ana maria de abreu)

5 de março de 2006

Invasão

Seu jeito de me invadir
Faz-me perder os sentidos
Toma-me como se fosse sua propriedade
Mal me deixa respirar quando me segura
Uma asma me toma
Fico arquejando
Querendo respirar seu cheiro
Meu corpo trôpego pede mais
Não cansa
Só ama
Seu olhar fuzila meu ventre
Que estremece sem controle
Suas mãos apertam minhas pernas
E eu me assusto de tanto desejo
Sem forças, já sou sua
Nessa invasão aos meus territórios
Eu já me rendi
Você se apossou de mim
Aquele poeta é pretensioso
Teima em teimar com a minha teimosia
E eu teimo em dizer que não teimosa
Quando vamos aprender?


O poeta pensa que só ele escreve poesia
Mas a poesia também sabe escrever o poeta

4 de março de 2006


eu acho mais divertido ser maluca
gosto mais de sorrir espontaneamente
de imaginar coisas que não existem
feito criança quando brinca sozinha
inventar falas,amigos,lugares...

(ana maria de abreu)





(A imagem: Foto de uma criança imitando : "O grito de Edvard Munch".)

Carrego você


Carrego você
O levo em meus pensamentos
Onde quer que eu vá
Levo seus beijos em meus lábios
Nossa dança em minhas pernas
Suas mãos em minha pele
Que também carrega o seu calor
O seu suor e seu perfume
Carrego seu gosto
E se o perco eu morro
(ana maria de abreu)

Essa boca...

Que boca é essa?
Que deixar sair palavras
Puras, sinceras
Que fazem sentir-me mais perto do céu

Que boca é essa?
Que dela brota um sorriso
Espontâneo, ingênuo
E me faz sorrir junto

Que boca é essa?
Que sabe ser séria
Aconselha, desabafa
Inspira confiança

Que boca é essa?
Que conserva o silencio
Para não perder sua individualidade
Respeitando a minha

Que boca é essa?
Que se aproximou da minha
Provocando
Deixando-me desnorteada

Que boca é essa?
Tão doce, macia
Que me beijou
Deixando seu gosto em mim

Que boca é essa?
Que já sinto quase minha
E a minha já dela

Eu

Uma tola apaixonada pela vida
Assim sou eu
Indecisa
Penso para agir
Impulsiva
Ajo sem pensar
Ansiosa
É duro esperar

Quanto tempo para amar?
Às vezes um olhar
Quer me conquistar?
Deixe-me livre para voar

Vivo pelo instante
O futuro?
Não sei, depende do presente
O passado?
Dos bons momentos lembro com saudades
Dos maus, aprendo uma lição

Sou uma criança
Corro na chuva
Rio do vento
Abro os braços para o sol
Sou uma mulher
Ousada
Não temo ser rejeitada
Segura

Conquisto e sou conquistada

1 de março de 2006

Sou insistente
Vou seguir em frente
Mesmo que me tirem o batente

Deslizes


Se deslizo meus pensamentos em ti
Logo deslizas até mim

Se deslizo meus olhos em teus olhos
Deslizas teus olhos em meu corpo

Se deslizo minhas mãos em teus braços
Deslizas teus abraços em minhas costas

Se deslizo minhas palavras ao teu ouvido
Deslizas teus lábios em minha nuca

Se deslizas teus dedos em meus pedaços
Deslizo meus sussurros pelo quarto

Se deslizas tua marca em meu todo
Deslizo meus desejos em teu corpo

24 de fevereiro de 2006

Por que escolhi neotenia...



Já tinha outro blog (ana_ceara.zip.net) e neste período conheci essa palavra e me identifiquei muito com ela!

O dicionário diz: "s. f., Biol., persistência temporária ou permanente de características larvares num organismo, como consequência de um atraso no seu desenvolvimento morfológico."

Segundo Marcos Nogueira: "Neotenia: Manutenção de características infantis na idade adulta."

Eu digo: "Neotenia: Sou eu!"

Será que vou crescer um dia? Espero que não! É tão bom ser criança de vez em quando! Por que então não tentar ser todo dia? Pelo menos um tiquinho! Creio que sou "neotênica"!


(Foto de Carla de Almeida Lopes)